Levará sua vida, tudo o que você é, tudo o que lhe é caro e não deixará nada a não ser neblina e névoa. Levará sua alegria. E, um dia, você vai acordar e seu coração e sua lama terão partido. Um casco você será, um fiapo será. Não mais do que um sonho ao despertar ou a lembrança de algo esquecido. (Citei isto porque acho este livro de uma simplicidade e mistério incríveis. Realmente vale a pela ler.)

Cada segundo tomado pela dor, a conspiração do mal esmaga seus pulmões, sua voz entrecortada tenta gritar mas tudo falha. Os olhos queimam como uma fogueira interminável, ela sonha sonhos ruins, tenta ser forte, como numa guerra de tudo ou nada. Tudo a mata; a garota não tem mais o que fazer, seus pensamentos obscuros e disperços, a alma jovem não é verdadeira; a idade é outra por dentro, o coração bate quase parando. Mas o que fazer? Não há solução; a vida é cruel, a vida lhe desafia desde dos primeiros anos. Ásperos e espinhosos, os dias se arrastam como um predador se arrasta para atacar sua presa. Se ela decide olhar para os lados, verá que os montros que a cerca não darão trégua. Não há pausa nesse filme de terror; o drama continua sem que ninguém possa alcançá-lo.
A cabeça lateja, o corpo dói, a febre aparece e tudo acaba assim. Ela gostaria de se ajudar, mas não há respostas que solucionem. Às vezes as coisas se disfarçam de boas; elas enganam a garota dando-a ilusões à vulsa para depois despedarçar seu coração. Mas ela continua à espera; sentada e sobrevivendo com os olhos vazios esperando a consumação dessa vida ou o surgimento de uma nova. Ela ainda espera que a venham salvar.
Tudo a está fazendo se tornar uma garotá má; empurrando-a para o precipício escuro e profundo, e se  vida não melhorar . . . ela ficará louca, jogará tudo para o alto e nada mais terá sentido. Nada mais!

A solidão perante as coisas da vida é só mais uma prova de como o mundo é cruel na sua vastidão. Estaria mais segura de mim mesma se ao invés de dizer sim às regras eu colocasse tudo que sinto pra todo mundo vê. Acabar com a confusão da minha mente seria agora, impossível. A vida tem esquinas por onde devo me arriscar, ao andar pelas ruas vejo as pessoas passando sem me notar. O meu  olhar de maldade traduz o poço que existe dentro de mim; as fronteiras dos sonhos impossíveis descontadas num grito que me faria imaginar livre dessa prisão onde os segundos parecem séculos e as pessoas parecem montros. Os rostos estam cansados do meu rosto, e eu cansada do timbre de suas vozes me deixam alternativas desesperadas onde nem eu mesma posso me salvar.
O sótão, o porão do meu coração tem segredos que um dia serão revelados, porque eu não vago, existo pra viver e é essa missão que irei cumprir. Não evito que seja julgada pela minha tristeza e solidão, pois quero mesmo que todos saibam o que vem de mim. A casa da minha alma nem é tão poética assim, preciso aprender bastante coisa antes de andar pelos caminhos da vida. Mas o fato é que andando pelos caminhos é que se aprende. E quando aprendemos algo no trajeto, deixamos de esperar os reflexos do passar da vida.
Surgirei algum dia mais nítida do que sou hoje, talvez alguém me notará, mas isso não importa ao acaso da vida. Porque ser diferente é ser único dentre os iguais,

Através de um espelho vejo  a sombra da morte, meus olhos estáticos permanecem imergindo na escuridão banhados à sangue e depressão. O vento trás pra mim a companhia do além e me faz oscilar no caos do pensamento; por trás de olhos azuis eu contemplo a vingança dos meus sentimentos, numa alma morta pelas circuntâncias da vida e perdida nas lembranças manchadas pelas dores e mágoas. Fui banida do meu próprio mundo, e a dor que eu sinto se assemelha às notas musicais de um violino. Minhas asas foram cortadas e tive minha liberdade arrancada de mim, -numa alma ferida e humilhada, -escondida num canto que sempre só é habitando por mim. Enterrei meus sonhos num cemitério, e carvei uma cruz no meu coração; rasguei as páginas da minha vida, joguei tudo no vento e fui andar por entre "os ninguém". Ganhei palavras ilegíveis e marquei-as num pergaminho molhado, entendi que meus erros me fazem sentir que sou ninguém e criei assim, uma cerca em volta de mim.
- Não tente entrar no meu mundo, não tente me encontrar nem ao menos me entender. Anjos vivem perdidos nas esquinas, pois não pertençem à lugar nenhum. Se você tentar imaginar, o que quer que seja, conviva com a certeza de que não lhe contarei meus pensamentos.
Sobre de coração, sou a complexidade em pessoa; dou de mim ao acaso e ainda assim vejo meus quebra-cabeças disperços pelo ar. Sinto por plenos segundos que o amanhecer logo irá sumir e me deixará o vazio sem explicação. Eu andei comigo mesma, contando o repassar de minha morte nos meus dias, descobrindo as verdade da vida expressadas em coisas que não posso explicar.
É pelo corredor da vida que me arrasto até encontrar um lugar no qual os meus lamentos já não são tão incessíveis. Pra viver, eu arranco as minhas sensações e sentimentos e tento pecorrer um destino com apenas meio coração dentro do peito.

 Tua sombra encobre a minha, é muito fácil de perceber algo maligno. Sua negra cor assombra meus olhos; sua maldade corre no sangue. Eu comprovei. Tirei a prova de que você é a maldição me seguindo com suas nuvens negras pelas ruas que caminho. Mas as nuvens negras não cobrem toda a cidade. É tão parcial!
 Interessante é como eu gosto disso. Aquela alma boba que deixei para trás. Eu gosto de esquecer. De acabar com o antes e senti o vulcão de agora. É mais confortável . . . mas a morte só é amanhã. Eu terei que esperar meu descanço eterno por mais algum tempo que eu não sei. A vida adia a morte . . . e isso é só para mim.
 Há alguém que continua do outro lado esperando. Ela precisa daquilo que poucos desejam. Mas não vagou em vão; foi criado um efeito doce de uma vida sem censura. E tudo isso foi os corvos que contaram . . . Eu estava num sono profundo quando com um pio eles sussuraram a história no meu ouvido. Da janela eles me contam os segredos.

Certa vez parei para pensar nos dias em que brinquei de ser feliz por engano. Achando que podia por certa possibilidade de saber; vi no meu próprio destino - já tão incerto (?! - que eu tinha talento para sentir os meus próprios sentimentos. Sonhando com o desejo, de sonhos decorados, - verdades aprendidas no querer de entender, e assim explicar as letras da palavras que vejo em seu olhar. Se ando pela chuva posso vetar as minhas condições de humana, possibilitando a mim, - escrever por um alguém. Tão confusa eu sei, simplesmente o óbvio a se ver. E como anjos em pedestais, eu concerto minhas asas num celeiro perdido em "cidades criadas", num mundo irreal, numa vida de  '...'. Meu corpo LIBELULARIZADO sem medo de correção, numa planilha conformista em padrões que eu questiono por . . . ridicularizá-los.
Sou libélula solta no ar. Arriscando por entre a vida, destinos a encontrar. Quando perdida, -me escondo em mim mesma, sem medo do mundo que eu mesma criei. Fiz meu auxílio quando num momento de êxtase; mesmo sempre ao final de tudo eu acabando jogada num canto. Eu arrisco e arrisquei, para inflar meu Êgo. De forma bem feliz (? . E fiz isso por VOCÊ, você que eu não sei bem quem é. Vivi esse tempo, a ainda o vivo, - por imaginar o existir de recompensas ao final (!)

Existe uma hora em que tudo que está lá fora já não faz mais sentido algum. Nesse momento você se dá conta de que não é feliz mesmo que sorria. Mesmo tentando e tendo força, não há caminho que lhe ofereça o bem total. Nessa hora, você corre para a árvore florida mas as folhas já não estão mais lá; porque simplesmente seus sonhos estão presos e as cenas estão difusas demais para serem assistidas e compreendidas. Alguém te explicou de uma forma diferente, alguém te obrigou a ser o que não eras. Não houve resistência, nem argumentação; é fácil entender que tudo te oprime. Mas você lê histórias que tentam te contar a vida, quando na verdade a sua própria está desconcertada. Não é uma forma de esquecer que você encontra, mas é um modo de se encontar esquecendo. Nessa vastidão você aguarda uma hora em que as coisas serão melhores. Em que você possa ser você mesma.

A luz que se vê ao olhar pela janela, esconde segredos indisvendáveis e inipterruptamente envolvidos numa aura de mistério inacabável. Estaria certa, de que se um dia eu perder meus sonhos no meio do caminho, ao menos terei as marcas da história no mais profundo do meu coração. O vento traz o passado a tona e me faz reviver os segundos daqueles tempos indissipáveis da própria memória. A canção que soa significa literalmente o meu perfil pré-disposto às controversas de um destino já traçado.

Passo dias pensando comigo mesma, querendo achar uma resposta ao meu coração. Onde estarás agora coração poético? Tu que me encantaste com tuas palavras verdadeiras, e não me deixou te ver como eras realmente. Por não ver teus olhos não percebi que mentias a mim, por não ver teu sorriso, não entendia quem realmente eras. Procurei-te em meus sonhos pois foi deles que tu saistes. Apaixonei-me por ti, e ainda hoje o sou. Retomo as lembranças boas de dias que estive contigo, e certamente só tens uma vaga lembrança de quem fui. Talvez tu não me amaste como eu imaginei, não me destes teu puro coração e nem perspectivas de que eu seria o teu Grande Amor. Despedir-me por mero impulso, - resolvi te esqueçer e tomar a vida adiante. Nunca mais te vi, te falei; nunca mais o procurei literalmente; mas em minhas ocasionais memórias, revejo que o amor que sinto por ti ainda permanece intacto e forte. Possivelmente já encontrastes um novo amor, e já não te lembras de que eu o amei; podes ter raiva de mim porque eu fugi de nosso amor; podes achar-me tola por ter medo de amar; mas a verdade é que ainda tenho-te em meu coração. E mesmo estando longe de mim, você me vêm sem eu te procurar.

Sorrir nas circunstâncias absurdas, quando te acusam de louca por fingir estar bem. Sorrir com aquele sorriso esforçado, que você consegue dar depois de uma dor no coração. Sorrir e esquecer a razão, esquecer os fatos, e até mesmo a realidade cruel. Talvez . . . talvez aquele seu ídolo que se foi a pouco, tenha te ensinado a tentar. Ele com sua vida triste, e tão grandioso em seu talento, talvez tenha te mostrado que você não sofre ou sofreu mais que ele. É . . . realmente ele te ensinou; e você concerteza guardará isto. Sim; não foi nada fácil até aqui, mas pense, pode haver algo de bom te esperando, pode existir se você quiser acreditar. Sorria garota, mesmo que a dor seja forte e te atinja sem piedade. Porque nada durou para sempre. . . a eternidade te espera junto de tudo o que você sempre sonhou!

Certa vida existia e era vivida sem sentido. Onde permanecia a solidão; o insolúvel. Quando a voz caminhava lenta e os sonhos eram tão banais. É nesse instante que você soube que eles não poderiam ser você, que isso tudo estava preso demais. porque tem vidas que simplesmente não valem a pena serem vividas. As recompensas não valem o preço da dor de todos os dias. As coisas são sempre assim . . . Tudo passa e o que fica é o que ninguém faz questão de lembrar . . . É aquilo que machuca as novas vidas, colocando um 'se' nesse cruel eternidade.