Alma Morta

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Através de um espelho vejo  a sombra da morte, meus olhos estáticos permanecem imergindo na escuridão banhados à sangue e depressão. O vento trás pra mim a companhia do além e me faz oscilar no caos do pensamento; por trás de olhos azuis eu contemplo a vingança dos meus sentimentos, numa alma morta pelas circuntâncias da vida e perdida nas lembranças manchadas pelas dores e mágoas. Fui banida do meu próprio mundo, e a dor que eu sinto se assemelha às notas musicais de um violino. Minhas asas foram cortadas e tive minha liberdade arrancada de mim, -numa alma ferida e humilhada, -escondida num canto que sempre só é habitando por mim. Enterrei meus sonhos num cemitério, e carvei uma cruz no meu coração; rasguei as páginas da minha vida, joguei tudo no vento e fui andar por entre "os ninguém". Ganhei palavras ilegíveis e marquei-as num pergaminho molhado, entendi que meus erros me fazem sentir que sou ninguém e criei assim, uma cerca em volta de mim.
- Não tente entrar no meu mundo, não tente me encontrar nem ao menos me entender. Anjos vivem perdidos nas esquinas, pois não pertençem à lugar nenhum. Se você tentar imaginar, o que quer que seja, conviva com a certeza de que não lhe contarei meus pensamentos.
Sobre de coração, sou a complexidade em pessoa; dou de mim ao acaso e ainda assim vejo meus quebra-cabeças disperços pelo ar. Sinto por plenos segundos que o amanhecer logo irá sumir e me deixará o vazio sem explicação. Eu andei comigo mesma, contando o repassar de minha morte nos meus dias, descobrindo as verdade da vida expressadas em coisas que não posso explicar.
É pelo corredor da vida que me arrasto até encontrar um lugar no qual os meus lamentos já não são tão incessíveis. Pra viver, eu arranco as minhas sensações e sentimentos e tento pecorrer um destino com apenas meio coração dentro do peito.


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Um comentário:

  1. Bem, como não gosto de otimismo e acho uma puta falsidade, não digo que tudo vai ficar bem - mesmo que fique. Talvez eu não entenda, então também não digo que entendo.
    Apenas me lembrei na hora de um pedacinho da música Pontes Indestrutíveis, do Charlie Brown Jr.:

    Os homens podem falar, mas os anjos podem voar. Quem é de verdade sabe quem é de mentira.

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