As horas passam rápido mas eu insisto em não notá-las bem. Gasto meu tempo lembrando de certos momentos, esquecendo o que foi dito, o que foi prometido.
Da torneira cai alguns pingos. Lá fora um corvo pousou no umbral. Aqui dentro do quarto faz um frio acolhedor. E o teto gira e sorri para mim com retalhos de lembranças... O dia em que chorei. O dia que corri pelas ruas feliz. O dia em que esperei, quando não sabia que sentimento sentir. O dia que vi tudo passar. O dia em que deixei coisas no passado. E hoje, é o dia quem que eu olho para tráz.
Acordei pondo tudo em uma balança para chegar às últimas conclusões de que tenho chance. Afinal; os segundos estão expirando; a luz está sumindo; novos dias chegarão. E quando tudo estiver acabado, e um novo caminho surgir... eu respirarei fundo e seguirei adiante, lembrando de tudo que passou.
Voltei ao quarto. E agora o teto parou de girar. As lembranças disperças voltaram com suas essências para o álbum de fotografias mental. E a partir de agora eu vou continuar à viver sempre lembrando de pausar em alguns momentos para visitar o álbbum do passado.
Não deixarei que minhas viagens se apaguem. Eu não deixarei de provar o sabor da nostalgia. Não vou permitir que o teto me abandone e pare de girar me deixando infeliz. Pois eu preciso das lembranças para amar.                                        Que 2010 seja melhor!

É aqui que eu paro para por o que observei da vida. Se por um segundo você parar para olhar, verá o mesmo que eu vi.
Você hoje já está adulto e pode compreender algumas coisas que quando criança não podia. Você segue sua vida passando pelos contra-tempos e buscando força para continuar tentando. Mas chega uma hora em que o seu esforço não faz sentido diante da  presente situação. Então surge os momentos de desespero e os que olharem para seus olhos verão os gritos que você gostaria de soltar.
Tudo parece tão complicado e conspirador. As coisas vão se reunindo para lhe oprimir, lhe humilhar. Nada mais tem a chance de dar certo.
E num pequeno momento que você diz que desiste e não sabe mais o que fazer, é nesse momento que alguém surge e faz você esquecer a solidão em que está. Esse alguém diz que tudo vai acabar dando certo no final; quando chegar a sua hora.
Mas o alguém se foi... e agora? A solidão voltou para abraçá-lo e você voltou à terra. Lembrou que não têm dinheiro, que você e sua família sentem fome, que o emprego paga mal e você sente que está para perdê-lo. Ou seja, você lembrou que não é aquele cara que passou sorrindo, cercado de gente feliz. Todos pareciam tão felizes...
E o que você têm agora senão a vontade de vencer? Você têm a vida incerta que leva a tanto tempo que não lembra mais quando começou. Você têm só a dificuldade naquilo que para os outros é bem simples de aconteçer.
Quantas noites mal durmidas; quantas vezes você pensou que as coisas melhoraram e acabou que tudo piorou?
De repente você acorda e os ventos mudam; de repente você é ajudado aos pouquinhos e uma coisa melhora. A outra já não parece mais tão ruim. Um problema expirou; e o outro está quase resolvido. Então... tudo melhorou, é perfeito e fim?    Não.
Você não conseguiu sentir, mas foi feliz esse tempo todo. A inalcançável felicidade que está num mundo tão distante do seu, que você venera e acredita nunca poder achar; ela esteve com você mesmo quando as lágrimas escorreram pelos olhos.
É estranho, mas, quando estamos bem; isso é tão discreto que a gente nem lembra de agradecer. Acabamos por reprimí-la e fazemos com que ela seja apenas um pequeno sorriso que você deu sem sentir. Mas quando sofremos aí o prazer de demonstrar a dor é o ponto principal de todo o drama. Você é o ator que se entrega totalmente ao papel.
Enquanto você fazia sua peça teatral e todos sentiam pena de sua triste vida... você esqueceu de ser duro, de ser forte e agradecer pelos pequenos mas preciosos momentos de felicidade que teve. Eles passaram e você nem sentiu. "Foram tão discretos. Eu pensei que a felicidade fosse maior". Pensando assim você sempre sofrerá. Porque não se deve buscar a felicidade em um grande navio que transborda. Mas sim naqueles momentos em que todos dizem que ela não está.
A FELICIDADE É UM GRÃOZINHO FLUTUANDO NO AR, ESPERANDO QUE VOCÊ A NOTE.

Assim que te vi partir tive a certeza de que não foi só você que me deixou. Pude sentir meu próprio sopro de vida se esvaíndo como a fumaça que está sempre em volta das tragédias.
Muito fácil para quem vai, dizer que sente muito; que não teve escolha. Mas eu que sinto todo o peso da solidão estando aqui com os olhos pregados no horizonte... perdidos e vazios à tua procura na esperança de que você regresse.
Eu consigo enxergar os dias passando diante de mim, lembrando-me sempre que eu envelheço um pouco mais e você está longe, está lutando por algo que não irá nos servir. Fico sentada me perguntando se eu ainda tenho espaço na sua vida enquanto você fica sujo pela pólvora e ver o fogo crepitar em tantos lugares.
Seu tempo está ocupado por sua missão e não sobra espaço para amores que estão no passado, eu acredito. E quando me dou conta desta verdade meu coração fica pesado e morto como as armas que você segura.
Você está lá e eu fico aqui sabendo que a qualquer momento terei uma carta em mãos com palavras frias e robóticas, que trarão apenas a confirmação do que minha razão já sabia. Serão elas que me apresentarão a dor e a perda que estiveram sempre por ali, sorrateiras, desde o seu adeus; esperando o momento exato para me sorrir e oferecer-me suas companhias eternas.

Foi de um coração jovem porém cansado que surgiu as frestas de sonhos. Uma alama os comtemplou até entendê-los por completo, e estando assim feito, a alma os guardou prometendo a si mesma que os guardaria para a eternidade.
No fogo de seu coração as coisas tomavam seus rumos, e os pensamentos aflorando de cada passo dado tornavam a vida mais amena diante das tempestades corriqueiras.
Os sonhos cresceram e foram ocupando espaços cada vez maiores na dimensão daquela alma, ocupando cada célula, cada mililitro de sangue deste corpo.
Na difusão da vida, a alma se sentia cada vez mais transparente, mais morta a cada dia. A vida não lhe perguntava se sim ou se não, simplesmente impunha e ela tinha que aceitar.
Por muitas vezes ela chorava no silêncio da noite, para que ninguém visse suas lágrimas, para que ninguém perguntasse, a fim de que ela respondesse.
Ela não sabia o por quê de tantas barreiras, mas ela tentava- embora cansada- continuar sobrevivendo às dificuldades da vida.
Carregando sonhos, ela soparava palavras, escrevia sua história e permanecia estável, tentando não sofrer, para não ferir o que lhe restava de bom.
A vida nunca foi fácil, nada vinha tão facilmente e ía muito além do difícil- as coisas fugiam a isso.
A raiva era inevitável, mas a genialidade das palavras aliviava o torpor de sua dor. Se lhe perguntasse se ela tivera uma amiga ao qual ela sempre pode recorrer- ela responderia "As palavras". Estas sim estiveram ao seu lado em todo o momento, sem jamais falhar.
Pois uma guardiã de sonhos, uma sacudidora de palavras, uma menina que roubava livros- ela sempre será... Na eternidade da vida, da chuva, céu e palavras....

O pequeno Collen mora em cima de um pedaço de nuvem lá no céu. Nas noites em que a lua não está tímida e resolve sorri para os humanos, Collen abraça sua companheira e a ensina a iluminar a noite. Aos poucos ela vai desinibindo-se e conta seus segredos para os apaixonados... com o pequeno Collen do seu lado.
Quando amanhece lá está ele novamente. Fazendo o sol dar gargalhadas estrondosas soltando seus raios de luz. E de seu pote mágico vai caindo as cores que vão dando vida ao dia que acaba de começar.
Collen sai voando pelas nuvens vizinhas com seu pincel espalhado pelo mundo, acreditando na fé e apostando no poder do amor. Vai seguindo por cantinhos deixando aqui e ali um pó necessário para a esperança.
Este pequeno não se cansa nnnca de enfeitar nossas vidas. Sempre ali pronto para pintar o certo que nos dirá algo de bom.  Collen sempre salva nós de nós mesmos... e se faz de qualquer um só para nos satisfazer.

De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo sem face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento.
E em seu lover hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contatentamento.

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive)
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

Na penumbra do momento a noite aparece, o silêncio se esconde fazendo o seu jogo, tornando pessoas reféns. Ao correr apara salvar alguém - algo é esquecido para depois- nada importa mais que o próprio objetivo. O medo das escolhas é o perigo pelo qual devemos correr, o suspense de uma vida que traduz a confinação de um certo alguém nos seus mesmos pensamentos.
Eu tento aliviar minha dor com a certeza de que tudo que faço é em vão, e vivendo sozinha eu vi que desaprendi a andar, e hoje tudo que faço é por pensamento. Longe se vai ao pensar na vida de um lugar certo, no momento certo e de forma certa. Ninguém pode me dizer que me lê como livro, pois as páginas estão rasgadas, e alguns capítulos foram perdidos.
O visto das palaras ao acaso, escrito por quem não sabe temer o escuro da solião, visto de forma incerta e inadequada para olhos confusos e mal ensinados. O que foi visto e transpassado de forma sincera. O visto dos livros, dos poemas, da pele, lembranças e lições.
Não adianta minha tentativa de gritar, pois meus anseios ninguém pode ouvir. O sufoco me prende os olhos, me mata aos poucos, travando minha voz- me deixando muda para a vida-. Não há mais possíbilidades de um renascimento a partit da situação; a vida só será possível se for reinventada...   E meu sorriso não pode ser refeito pois minha tristeza já o tomoou para si.
Estou sempre em busca de novos horizontes, me iludindo porque na verdade, eu sempre volto para o ponto de partida... onde tudo começou. E a minha experiência somente agrava o meu ser, me deixando perdida sem direção nem escolha. Vou parando de andar com o passar dos dias. E o brilho dos meus olhos já não pode ser mais visto, minha alma sumiu e a prova disto é quando eu me olho no espelho.
O coração parou, tudo deixou de funcionar... ficou um vazio infinito, um por quê sem explicação dentro de mim.
Quando vejo o que já foi visto, a minha certeza aumenta de que eu morro um pouco mais a cada minuto que se passa.

Sentada neste carro eu vejo tudo passar rápido e sinto o vento que passa pela brecha da porta tocar o meu rosto como se estivesse a me consolar.
Em algum momento eu parei de pensar e apenas percebi que do outro lado da cerca um alguém me encarava sorrindo.
Eu não conhecia aquele homem que vestia roupas brancas e sorria para mim... mas de súbito eu senti uma felicidade imensa.
Talvez meu destino estivesse junto com o seu. Não sei ao certo. O que sei é que de meus olhos aquele anjo sumiu. Mas de minha memória... dela ele inundou com o seu sorriso que eu não pude mais esquecer.

Eles caminham pelas manhãs escuras com os olhos grudados no céu, suplicando por uma gota, para que ela caia e a possa sentir na palma da mão. Mas só o que eles veem são as grandes nuvens que cobrem boa parte... mas não toda a cidade. Pergunte-os e eles lhe dirão os detalhes mais minúsculos do céu. Aquele que de 6:00 horas amanhece escuro com as nuvens transbordando e se inclinando para os passantes... querendo que eles as notem como os outros fazem tão bem.
E quando a água finalmente cai em forma de fios prateados, as peles começam a se molhar; os cabelos pingam... as gotas escorrendo elegantemente sorriem para os adoradores que contemplam fascinados a fonte de suas alegrias caíndo belamente do céu.
Como pequenos lagos as poças vão se formando nas calçadas. Vão ficando por ali como prova de que a chuva veio. E a água do asfalto que vai escorrendo para os cantos chia e encanta os pneus que a beija.
Depois que tudo passou resta só a felicidade dos adoradores que puderam abrir os braços molhados por essa água que tanto amam.