Quis a vida que eu o odiasse, quis você mais ainda que isto fosse minha cruz. Pois aqui estou; agora vivo para odiá-lo... à você e ao resto do mundo dedico minhas forças vitais.
Desejo que crepites no fogaréu de uma dor que o faça revirar-se do avesso e desejar a morte mais que qualquer outra coisa. Uno minhas forças no pedido de que tenhas o sofrer tal qual segurar o céu sob os ombros, que sejas consumido pelo escárnio que pulsa em meu seio, e que minha vingança pulse em suas veias como ácido corroendo-o internamente.
Todos os demônios do mundo hão de possuí-lo e explodi-lo em centenas de fragalhos desprezíveis, aí então eu irei pisá-los e esmagá-los sob o peso de minha cólera. Estou a saborear este prato frio enquanto aguardo a hora certa, praguejando que você sufoque com sua própria mediocridade, que seja  usado como um verme e depois jogado fora como um objeto que é.
Todas as dores do mundo, e as desilusões, tudo que você e o resto fez questão de ensinar-me voltarão como um monstro desvairado e indomável, que te sangrará aos poucos, que o machucará gradativamente até que não reste mais nada além de sua rala lembrança em meu coração morto.
Somente apenas não leve-me a mal, não trata-se de nada pessoal, é que não é hora de perdoar, e sim de matar.
Eu, que por tentativas vãs, tento explicar a mim mesma quem sou quando não sou aquela que se esquece de viver, tenho fitado um reflexo deprimente no espelho, de uma que não conheço mas que me segrega absurdos da amarga vida que leva.
Os muros estão pintados de vazios, ali por onde dizem caminhar pessoas, lá onde festejam e vivem, em nenhum lugar existo porque nada sou além de um erro que o fracasso insiste em cometer.
Cada dia a mais vivido se transforma num entrinchado de nadas, repleto de ódio doentio que remete à minha dor de existir frustrada e não  ter vida, ao passo de que sou fraca demais para conseguir levar adiante qualquer um de meus planos suicidas.
No mais, agora sou aquela que parte antes mesmo da chegada, confundindo-se com os rabiscos do mundo e pertencendo à tudo aquilo que pela vida foi renegado, aquela que já não é.
Afinal, depois de algum tempo você ressurge em minha vida, te encontro por acaso nos lugares e lembro de ti em meus pensamentos; vem à tona todo o passado sofrido em teu nome.
Afinal, quando se acha que esqueceu-se daquilo que mais queria, a ironia te põe à prova e tudo aquilo reaparece tempestuosamente.
Afinal, eu hoje te ignoro com rancor pelo desafeto que me tinhas, mas o coração insiste em contradizer o orgulho e dispara com uma pancada... querendo reviver a dor.
No fim, eu hoje nada mais sinto ao vê-lo além de um profundo desalento, mas no ínfimo vazio eu só recordo das lágrimas que derramei por ti.
Acabado o drama, agora, estais morto e enterrado em meu coração, no mais, o amor platônico deu-se por findado.. o que não muda o fato de o destino rir-se de mim e contigo eu esbarrar por acaso, e somente isto eu não poderei mudar, o fato de ser tão doloroso eu sempre enxergar em outros o teu jeito de ser.
Desconheço quem fui a vida que mantinha, já que agora, em todos os lados que olho enxergo outra de mim empurrando-me ao precipício. Eu já não sei quanto o tempo vale e por que ainda passa para mim, que perdeu-se à tempos.
Todos aqueles com quem contava estão distantes demais, e não podem enxergar que meus olhos mentem quando digo estar bem, todos eles já não se interessam em procurar na minha voz algum resquício que denuncie meus verdadeiros medos.
Eu acordo para a morte sentindo-me quebrada em pedaços perdidos pelo mundo e sendo incapaz de achar os caminhos de busca. Eu escondo num sorriso a dor e o medo de ver minha própria sombra desejar me enforcar.
Estou tentando vomitar minha realidade, querendo no desespero que um único coração nessa imensidão devassa sinta minha dor, eu só quero dar um pouco de mim.
Fui tão traída e abandonada, estou tão destruída e perdida, que sei que tornei-me somente a distorção de um reflexo num espelho quebrado.
Assistia o tempo com órbitas enevoadas, fitando o vazio na esperança de enxergar ali qualquer ideia fugaz, que trouxesse de volta toda a dor que eu antes sentia. pois ela me alimentava com o ardor necessário para ainda, estar disposta a sangrar das mesmas formas distintas que tanto amei, que tão a fundo eu já pertencia.
Estas minhas máculas que contavam minha história estiveram por tempo, querendo apagarem-se, e afugentada momentaneamente, minha dor correu evitando minha fase ilusória. Mas eu, tão desesperada, e deveras, ainda a tempo, quis novamente cair em seu regaço, e perdida em meio àquela vida que não me pertencia, gritei pelo vazio e ele me ouviu. Agora que estou com ele dentro de mim, aguardo somente a dor e a morte, para findar-se esta ilusão.
Por tanto tempo sofri sem nada ter em troca, tanto desgastei-me ao ponto de crer que estaria infértil por toda minha eternidade, que agora, por algum motivo a dor se esvaio tão repentinamente que tão somente poucos rastros sobraram para realmente dizerem-me que vivi desalmada na sombra de um amor infeliz.
Uma parte de mim com você ficou, e esta, morta e sepultada, somente será um pesadelo. Mas não sei como explicar como foi fácil o vazio ocupar o seu lugar em meu mórbido coração.
Tão devastador você foi ao longo dos dias, infiltrando-se  e tornando-se minha doença, e tão friamente simples foi embora de mim deixando um vão. Ainda não consigo explicar a mim mesma como toda minha dor foi banalmente apagada como se nem a mim mesma tivesse servido.
Agora desfila à frente de mim, a iminência de que meu corpo terá um novo motivo pelo qual sofrer. Algo me diz que tudo está para repetir-se talvez dessa eu não sobreviva. A dor permanece comigo pelos mesmos motivos banais pelos quais ainda hei de matar-me.



Somente o vento conversa comigo em sussurros por entre a brecha da porta. Os ponteiros continuam andando no ininterrupto tic tac. Os sons permanecem, a vida continua acontecendo lá fora com as cores, com as emoções, mas aqui somente o vazio tem permissão para ficar. O vaso de flores murchas já não é mais enfeite, os lembretes esquecidos na mesa já não me fazem lembrar de obrigações. Eu me protejo com as cortinas fechadas das luzes que me ferem, eu me deixo jogada alheia à vidas que não pertenço, nada além de vazio. O vão veio me dizer que estou em coma, à espera do tempo para curar.
Engulo pela última vez minha dose de você enquanto decido como tirá-lo de minhas entranhas. Decido que preciso de um pouco mais de morfina para seguir em frente, fingindo talvez que estou curada da praga.
Agora eu caminho pelas ruas afogada num  coma escuro, e não há ninguém mais aqui além de mim mesma, eu caminho sobre as calçadas vazias de esquinas caladas.
Essa doença que é você, já estupidamente me fez infértil. Eu já fui tétrica demais, e cansei de escrever sôfrega sobre você, e de ser sempre em vão.
Agora, a mazela se vai de meu sangue, meu coração voltou à bater  em seu compasso e minhas feridas se fecham.
A doença caminha e me encaminha para o fim, enquanto o vazio transborda, as cores se apagam e você se vai... deixando somente a cicatriz perpétua de seu desamor. Não sou mais enferma, mas garanto que um fiasco de sua praga permanecerá irreversível em mim.
Eu mesma enxergo o que tu me causas, eu vejo tu me estenderes a mão para atirar-me ao precipício. Apanho de teu amor, que me trata, sem culpa, como um verme que te mazela. Estava eu, enterrada no fato de não tê-lo, quando você, mesmo sem querer, fez-me sangrar pelas mesmas feridas.
Então sou para ti um corpo morto, que de nada vale senão, para tirar-te a paz? Dizei-me pois; se sou para ti tão inválida, por que então me torturas com juras cruéis, como se estivesse à exumar um cadáver que outrora repousava em seu leito de morte?
Tão falso negativo és tu, que chego ao ponto de perguntar-me se realmente existes, ou trata-se somente de um jogo maquiavélico que criei para mim mesma.
Pisa, distrata, esnoba e esquece.Mas pior mesmo que ser teu verme e distração, é ser aquela que sofre em vão como uma desgraçada.
Vagar por ruas soturnas como para abster a solidão que afoga fatalmente num enleio, os resquícios de vida que lutam no meu peito.
Arrastar o espírito morno por noites sôfregas, em tentativa de fugir do desatino que expande-se em disparate pela miúde lucidez que corre em minha mente.
Minorar a dor com gritos somente silenciosos e errôneos, por assistir à vida correr pelo tempo indiferente aos meus anseios de à ela pertencer.
Trata-se do declínio de mim, que nada tive e não tenho senão pois, ilusões e dor, que tais mantiveram-me à caminhar pela penúria da vida, em penumbra num último ímpeto mortal.

És o rei mandante desta minha doce tristeza, que deveras, eu me deleito ao desfrutar. Vejo-te como a maré que invade as areias brancas, que como tais são afogadas pelo sal do mar revolto.
Tu és a navalha cega que me corta aos poucos, e fazes parte da terra que suga meu sangue derramado. Tenho-te no mais profundo grito que resguardo no coração, para ter sempre uma dor em pauta que eu possa sofrer.
Perpetua-te em minha dor como quem nada quer, e transforma-se em espada que desfere golpes débeis em meu coração. Aos poucos, num arrastado, transforma-se em agulhas que ferem-me, e pronuncias palavras que me são como espinhos eternos. Pior que todas as dores que tu faz-me sentir é o teu silêncio cruel; tua indiferença é o meu calvário.
Estão além o tempo e a vida, e tu segues com ela levando o destino adiante. Enquanto o tempo corre e as coisas passam, eu permaneço à teu dispor para ser retalhada pelo amor que tu não sentes por mim. Mais eterno que meu amor por ti, somente mesmo o meu sofrer.
Tudo estava certo demais para ser real; por isso então que eles caíram por terra, e quando o tempo enegreceu, o inferno subiu para uma guerra.
O vento gritava pelas esquinas e cheirava à desgraça. Quando grandes fendas abriram-se no chão, o medo saiu em disparada, atirando para todos os lados.
Começou a chover sangue, e os raios foram caindo, os trovões ecoavam e lá no fim o sino badalava o fim da vida.... eles logo chegariam.
Quando pode-se escutar os arrastados de seus pés, os gritos ficaram estridentes e tudo transformou-se em fuga.
Eles chegaram devastando a vida, sugavam o amor, e como animais endoidecidos, mataram tudo vivo. Somente os corpos restaram para a história, e o passado tratou de recolhê-los.
Então chegou a dor, gemendo e se arrastando, para avisar que a morte vinha logo mais buscar os que lutavam e resistiam.
Quando ela chegou, tratou de ceifar os sobreviventes pouco a pouco, percorrendo cada rua. E quando foi-se, levou consigo a dor e o medo, suas eternas sombras.
Acabada-se a vida e devastada toda a cidade, os demônios já satisfeitos, voltaram para suas tocas sonolentos e sorrindo com a face desfocada e possuída pelo mal. Era chegada a hora de o vazio fazer sua parte e espalhar o seu manto maldito pelos caminhos e estradas, para que eu pudesse finalmente caminhar por eles e reinar, como agora o faço.

Eu fujo das luzes do dia que me fazem enxergar o fim da graça de viver, porque eu somente quero adiar o final.
Todas as portas fecham-se repentinamente e eu encurralada, corro para o quarto escuro onde abraço meus medos e posso gritar sem que ninguém ouça.
Eu evito as pessoas e de andar pelas ruas, porque tudo perdeu a cor e quando eu caminho, posso sentir ninguém me notar.
Estou vazia como o céu nublado, e fecho os olhos para a vida. Enxergo a realidade perseguindo-me nos espelhos, e desesperada os quebro, os cubro, e renego tudo aquilo que me lembre que estou viva.
Desejo que o mundo silencie pela minha dor, ou me deixe escapar para fora dele. E que se calem todas as vozes que me pedem para ficar, pois eu fugirei da vida. Já estou com a cor desbotada e certa, para escapar.
Naquela noite, mais uma dose do vício, e um pouco mais de dor para mim mesma. Já tão acostumada e controlada somente por uma voz, a doença se espalhava certeira pelo sangue, e eu mesma podia ouvir os estilhaços do resto do meu coração caírem lá dentro.
Naquele momento em que eu desfrutava de meu martírio, eu esperava que você pudesse saber de meu amor, que ao menos me enganasse fingindo gostar.
Dava meu sangue para ao menos uma noite você me iludir; eu vendia a alma por ao menos uma chance.
Mas tudo era somente desejo, pois você estava longe e não podia sentir o que me causava. Tudo em vão pois você já não se lembrava mais de mim; e o tempo a a distância foram meus assassinos finais naquela noite... que insiste em se repetir.
Eu deslizo pelo assolo de minhas esperanças,
que de tão desgarradas de mim mesma, tornam-se outras armadilhas.
Eu batizo e patenteio mais um fracasso e o guardo no fragalho coração,
que de tão repleto de dolência, esquece-se quase sempre de bater.
Eu sangro diversas tentativas,
que de tão dúbias, transmutam-se em espinhos cruéis e diários.
Eu choro o meu devir real,
que de tão comum e desvairado, faz que no fim das contas eu permaneça só.
Eu, que de tão devastada, fracassada e enfraquecida,
acabo por viver na morte, e muda, gritando em vão pelo inestimável fim.
Morri mais uma vez, e quantas vezes fui acertada pelos mesmos punhais cruéis. Tantas lágrimas que secaram em meu rosto contam a história de meu coração quebrado, e desde que o rasgaram, ele bate cansado.
A velha raiva vem à tona, o mesmo ódio corre nas veias, e se  fortifica, e me queima a alma como o fogo do inferno gosta e costuma me possuir.
De meus olhos vertejam sangue e desespero, mas ninguém os enxerga em meu olhar. Meu corpo coleciona assassinatos, acumula dores, e todas as palavras estão guardadas como espinhos lá dentro.
Eu sou um poço de mágoas, e a velha memória amarra-se aos episódios mais sôfregos, e guarda os tantos rostos que me mataram, seus olhares e os seus ditos.
Minha criança morreu cedo, mas antes conheceu as primeiras tristezas  e me deixou de herança toda a revolta engasgada no peito.
Em alguns momentos eu fui conhecer o amor e a alegria, mas achei-os tão deslocados em mim, que acabei resolvendo refletir se eu os queria, e por pensar demais o precipício me alcançou primeiro, e mais uma vez eu morri.
Olho pela estreita janela e vejo o fraco alvor do sol, pois sim, absorvo a certeza de que o sombrio dia que se arrastará será de incontáveis horas em que seu nome escapará de meus lábios.
Em meus ombros carrego a bagagem de pesares, e cabisbaixa caminho pelas ruas vendo meus passos atravessarem água. Pelos meus pensamentos você começa a surgir e já tão cedo meu controle se esvai, o que bastará para que qualquer rosto desconhecido que passe por mim se transmute em suas feições.
Aqui e ali observo algo de que você me faz lembrar, enquanto levanto o olhar para as negras e pesadas nuvens e murmuro preces agradecidas ao tempo por mandar a chuva para esconder minhas lágrimas.
Lá pelas tantas do meu sofrimento, o sol abre no céu com deboche numa esperança vã de espantar minha cúmplice sombria, no entanto eu continuo escura dentro de mim, e sei que logo mais quando ganhar as ruas novamente, é por você que procurarei.
Deveras, eu vivo em função da sua sombra e à tua procura. Mas bem sei que um dia seus rastros sumirão das ruas por onde passo, e talvez será em tal momento que eu me afogue por completo.
Como dou-me conta do prazer que sinto agora ao derramar estas lágrimas, e vejo o quanto me habituei à sentir a mesma dor.
Pesado, meu coração deseja escapar das escolhas que o esperam, pois dentro dele corre um sangue negro que anseia ser derramado somente por um.
Como então achar palavras que menos doam àqueles que eu não desejo ferir, se por alguns instantes uma outra eu grita para que eu ceda às promessas?
Sinto a loucura se apossar do pouco que me resta, e o silêncio me ordena coisas para que eu continue passiva.  Lá fora todos esperam que eu aja, enquanto eu ainda me sinto presa ao monstro que não quer me pertencer.
Esperam que eu faça escolhas enquanto o tempo correr e alguns já esgotam-se de mim. E mesmo que eu espere de mim mesma algum rumo, meus medos já ornaram-se maiores que minha própria vontade.
Eu vejo corações que pela minha vida cruzam à me oferecerem ajuda, mas o feitiço que o monstro lançou é bem maior que a força do mal. E no ínfimo, o amor que sinto é tento pelo meu tormento, que eu não desejo deixá-lo e seguir com as boas almas, sinto-me pertencente à esta lama em que charfundo.
Tento deixar guarnecido algum segredo que não me faça parecer vulnerável. Mas creia-me, o que mais desejo é poder me entregar. Dentro de mim gritam vozes que pedem que fique comigo, mas por outro lado tenho correntes que me impedem de agir.

Estive a espera de poder amar livre com alguém, e por este alguém escrever uma história, e agora seria bom que você me sugerisse palavras. Creia-me, pouco é o que me impede de seguir adiante, por isso, torço para que o que sofro por outrem transforme-se em página rasgada, e que o recomeço me leve a construir com você novas frases.

Não pense que quero fugir, apenas estou à espera de que meu coração se esvazie para poder preenchê-lo com você. E eu espero não ser tarde demais quando eu estiver pronta, espero ainda poder contar com tudo o que você me prometeu.

Tenha a certeza de que, se eu pudesse mudar, mudaria por você.

O som ecoa pela vazia sala que fora a única testemunha de mais este fim. No mais, todo o desfecho por si só bastaria para que ali restassem as manchas de sangue derramadas eternamente.
Antes do tiro, ela estava ajoelhada diante dele suplicando banhada à lágrimas, que apertassem o gatilho à queima-roupa. Estava a ponto de ela mesma arrancar o coração do peito num último gesto de dor e dramaticidade.
Diante daquele que amava e de que por suas mãos morreria, ela viu a vida passar num espelho embaçado, onde todos os seus erros sobrepunham-se às míseras alegrias, e todas as memórias a fizeram assinar o contrato de morte.
Antes da bala explodir em seu peito, viu pela última vez os olhos daquele que nunca amou-a, mas que sem compaixão alguma cumpria aquela tarefa como se tratar-se de outra qualquer, e não fizesse diferença alguma.
Agora seu corpo jaz sem vida no chão diante do executor com o crime entre os dedos, e sobre tudo pesa a tragédia de uma história que não deu certo. E histórias que dão errado como tal, repetem-se em silêncio nos apartamentos soturnos.
Acaba-se tudo sem que nada precise ser dito. Se tudo estava bem e certo basta que o veja, que ouça sua voz, para que tudo desmorone; e é quando a raiva por o amar a domina, é quando a tristeza toma conta por não tê-lo.
Bate a enorme vontade de poder matá-lo dentro de si, de sair fugida e sem rumo para longe o bastante para esquecê-lo e perder a própria identidade no tempo.
Recai a verdade que enquanto não libertar-se não haverá vida adiante, e não poderá sequer tentar seguir com um amor alternativo.
Em cada rock tocado lembra-se dele, e sofre frágil, por não ser capaz de afastar-se do que tanto a martiriza. Segue sorrindo de sua própria dor, e fingindo que pode fingir estar bem.
É o fim do mundo à cada memória; tudo o que poderia estar curado volta à renascer em carne viva. Em novos cortes vai sangrando este amor maldito, e vai desmoronando decepcionada porque achava que poderia aguentar até que o tempo fizesse algo.
Somam-se as verdades de que é incapaz de fugir, caem por terra as sentenças tortuosas e, os tão distantes sonhos de amor afastam-se ainda mais... resta somente a solidão em morte.
Homens que caminham cegos à procura de respostas correm o risco de caírem no abismo que eles próprios cavaram. Alheios às penas, cometem crimes que corrompem por inteira a possibilidade de serem salvos, e escondem em seus corações os mais macabros de seus passados manchados à sangue.
Nas mais pacíficas sociedades, em lugares de que ninguém possa desconfiar, lá escondem-se os mais maléficos que disfarçam-se de bons para ter o elemento surpresa como carta coringa, e mesmo sendo esporadicamente levianos em seus propósitos, no fim do jogo conseguem o xeque-mate.
No calar da noite, em porões de que ninguém sabe, juntam-se homens para conspirar seus desejos maquiavélicos, bebem vinho em culto ao sangue derramado, encenam assassinatos que pretendem cumprir; e antes que os primeiros raios de sol nasçam, caminham como vagantes em direções à seus lares.
Em cada grupo de bons samaritanos, esconde-se ao menos um malfeitor, e em toda a face afável existe um segundo lado a revelar-se. De toda beleza aparentemente inquebrável surge uma brecha para outras verdades, nascem novas convicções não desejadas.
Os homens aproveitam-se das pequenas falhas e delas fazem cultos, e celebram, e expõem ao todo resto a inverdade do próprio mundo. Puxam as cortinas que escondem o verdadeiro lado de que ninguém quer saber; esses homens estampam as surpresas desagradáveis, e a dor que assola os alienados é a carta na manga destes que nada sentem em causá-la.
Quando todos fingem que tudo está certo, que as dores estão amenizadas, que caminham e marcam na testa de todos a charada de suas existências. Nessa hora ficam todos perguntando-se em murmúrios ininteligíveis, marcados com a interrogação, com os olhos vazios e com o sopro de vida a ponto de esvaírem-se, coisas que nem mesmo eles sabem o que são. E enquanto todo o resto decai num fim simples, os homens sorriem e contemplam o fim do jogo.
Vindo das mais profundas entranhas da desgraça, foi feito do sangue que derramou-se numa guerra, virtuou-se da dor espalhada pelo mundo afora e dela fez o seu cálice diário. Na tensão presente nas casas de família, se esconde no armário para assustar as crianças que choram. Tem o manto feito das sombras, os olhos inundados de mal, o coração tomado pelas trevas, a alma que fugiu do inferno.
Na verdade nasceu, para expor à humanidade a maldição que recai sobre o mundo. É fato que este demônio surgiu para puxar as máscaras de tantos outros que andam por aí pelos demais, disfarçados.
Seu hálito têm a morte que devora humanos perdido. Seus passos deixam rastros negros que ficam marcados na eterna e fúnebre existência de si mesmo. Seu agouro é o causador das grandes tragédias que se sucedem em vidas humanas, por intermédio dele que tudo desmorona, à seu comando que tudo decai.
Ele é a prova de que o fim está próximo, é o símbolo de que somos todos infelizes, medíocres, de que na verdade, vagamos iludidos nesta vida quando na verdade pisamos no próprio solo do inferno.
Um demônio é só um ser sem alma que vêm até aqui para lembrar-nos de que não estamos só; nada mais é que o que nós merecemos, nada mais é que o cobrador de penitências pelos nossos pecados. O verdadeiro mal está nas entranhas de cada um de nós, tolos seres feitos de carne e sangue governados pelos seus desejos desmedidos.
A chama acesa crepita e queima, por dentro meu coração! O medo faz suas gargalhadas ecoarem, os espelhos se quebrarem. Posso ouvir ruídos lá fora no corredor escuro, posso sentir que algo sobre humano está tentando entrar aqui. Eu sei que irei morrer.
Sem escapatória eu tento pensar em formas de defesa, mas o animal está decidido a matar-me, e não existe lugar algum para onde eu possa fugir. Nada é mais certo de que serei devorada, por dentro já estou morta, mas o meu corpo frágil gostaria de uma chance de salvação.
Aperto contra o peito a cruz de madeira pedindo proteção, com todas as minhas forças eu esmago de medo o símbolo, e sinto correr de minhas mãos o sangue quente e infeliz. A porta saculeja, o monstro a arranha arrancando pedaços, e por dentro eu desmorono sabendo que serei esmagada antes por meu próprio medo. Ao longe uma música tenebrosa toca, escuto violinos soarem com sutileza aguda, sinto meus olhos pesarem, sinto que estou caindo num buraco escuro.
Tudo dentro do quarto escuro explode: espelhos, copos, retratos. E a última a se suprimir é a chama... a vela aos poucos se apagando e a fumaça deixando rastros no breu.
Antes de cerrar os olhos, vejo na soleira da porta uma doce criança sorrindo, seus cabelos lisos e negros balançando com o vento do corredor negro, e seu vestido rasgado que outrora supus que fosse branco, agora tinha manchas de sangue seco. Em sua mão esquerda segurava veneno, que encaminhando-se gentilmente para mim, me fez beber até o último gole... e a última batida do meu coração foi o desfecho final.
Sou escrava de mim mesma por ser incapaz de lutar com minha total força contra estas correntes que me prendem ao amor. Esse monstro rasga meu controle e por dentro eu declino, eu me desfaço e caio em tentação de buscá-lo. Caminho pelas ruas e lugares rezando para vê-lo mesmo sabendo que isto eu não deveria desejar, pois o amor é tão imenso que machuca estupidamente o peito e explode sempre que o vejo.
Dói permanecer neste cárcere e ver que tudo isto é vão, ao passo que nem mesmo ele sabe que sofro por amá-lo. Eu reviro a vida na esperança que a desordem me faça esquecê-lo mas as coisas sempre acabam por fim, tendo algo deste que tanto gostaria de odiar.
Como uma droga que mata aos poucos, sua existência e sua falta matam-me diariamente quando lembro-me que fui amar errada, quando vejo que eu amo só. Não poderia existir alguém mais controverso para meu coração escolher, e aqui estou eu charfundando inútil em um sentimento que não foi tomado pelo dono.
Resta-me caminhar arrastada e presa por esse peso esperando o dia em que o amor se canse de mim e finalmente me dê alforria. O que me sobra é viver com a morte aninhada no peito aguardando a hora em que não doe mais esta escravidão malévola. Só posso esperar o fim; e que chegue logo para libertar-me.
Depois do desfecho trágico, resta o soar de alarmes falhos, avisando a desgraça dos infelizes. Sobre os escombros estão os corpos que vagam à procura de um sentindo, carregam cada um, sua cruz, e cabisbaixos caminham desolados pelos restos de uma vida que se foi perdida.
Seus olhos vazios, suas vozes escassas, cheios de sinas sem perdão os vagantes estão perdidos numa ilha de apocalipse. E enquanto rumam desesperançados, aproximam-se de um precipício irrevogável que os engolirá para todo o sempre.
Por todos os lados estão as provas de uma tristeza profunda e dominadora, que se alastra como praga, e se enrosca como raízes, em todos os corações que batem descompassados. O que ecoa pelas destruídas ruas e esquinas da cidade, são os choros de desespero e inocência, como única resposta à pressão tamanha da dor.
Na veia dos corpos desmotivados, corre negrura e moléstias; dentro d'alma incide um quadro nefasto de morte. Eis que nesta cidade só a dor perdura, e ela é a mandante do tempo que queima indiferente ao flagelo incontável.
Incontáveis são as dores espalhadas por tantas cidades; incontáveis são os sonhos destruídos de tantas vidas.
Consta que permaneço neste cárcere por mais tempo do que minha leiga ideia ousaria alcançar. Está consumada minha sina de ser a sempre insana amarrada e esquecida num quadrado impessoal, escondido em qualquer hospício sem vaga menção de qualquer existência.
As paredes sorriem como um covil plano e acolchoado, conspirando com argúcia para com claustrofobia sufocar meus gritos de apelo ao externo. O tempo se consome enquanto definho sem salvação, esta minha solidão reverberando aos quatros cantos de minha psique enferma.
Tamanho é o desatino desta vilania que me persegue, e eis que eu me prosto diante da madeira cruciforme suplicando ao deus vago de que nunca tive fé, que o meu tétrico coração possa enfim resvalar seu último suspiro.
Distar como morta num lugar onde com desprezo ocupo espaço, faz-me infimamente com alusão, achar um resquício de pena oferecido por alguém de que nada conheço.
Em suma, estou absorta com a convicção que achei num recanto; que me confirma que estarei encrustada e vitalícia nessa maldição branca vestida de cômodo. Sinto com desassombro que meus gritos não ecoarão por mais que eu persista e assim deseje. Sinto com urgência que estarei sem voz até que o tempo enfim, decida que é chegada a hora de que minha existência se suprima.

Dany deu a sugestão do título (;
Dois corpos se amam com violência em meio á bazófia explícita. Unem-se por meio de cultos obscuros através dos quais se despem de suas máscaras, e medos... que por eles perseguiam, agora entregues ao lânguido vazio.
De tal forma, com libido, os amantes expõem altruístas o ritual em que se tocam e compartilham de sangue. O roçar das peles trás todo o calor guarnecido nos corpos que transbordam desejo, e seus olhos fulgurantes penetram  no ínfimo dos pensamentos de outrem.
Este amor que brotou do mais terrível estorvo, agora desfila com império e desafio aos olhos de quem de esguelha o olha. E os dois amantes estampam com ardor na pele, a marca da sevalgeria em que se enlaçam... a união mordaz de suas bocas, num beijo à sangue, com os corpos ligados no casamento funesto.
Custa forças para a sofredora suprimir de sua mente todas as tortuosas lembranças. O sentimento impregnado em suas veias, corre pela vida dentro de seu corpo, queimando como prova do fragalho que está todo o seu coração.
Não basta somente ela decidir arrancá-lo de si mesma para continuar em frente com o oco no que antes havia amor; mas existir algo que com ela caminhe junto rumo ao precipício que a fará esquecer.
Todo o tempo estendido aos seus pés, como cobras que a prendem ao querer estar junto daquele que a despreza. E este tempo  que sufoca o seu grito e a arrasta para mais junto daquilo que ela gostaria de fugir, faz o simples continuar tornar-se para ela, toda a dor reunida num único peito que têm como alívio dois míseros olhos que transbordam o desejo de morte.
Quando o silêncio reina nas entranhas da noite,
Desespero corre fugindo pelos vales macabros.
O mundo se inclina nos ombros com açoite,
E Desespero com urgência deixa os medos guardados.
É uma criança que chora a morte do amor,
Com cálidos pés de viver à esquiva.
Caminha enxergando os males da dor,
De ver os corações esquecidos à deriva.
Seus gritos suplicam que alguém se importe,
Que ninguém ao menos de sua falta sinta.
Pois essa dor é tamanha, e forte,
Que ela suplicaria que alguém a minta.
Desespero anda sem rumo por tomar,
Buscando apego em desconhecidos.
Ela espera suas tristes histórias contar,
Para depois afunjentar-se em lugares escondidos.
Eu ainda consigo escutar os choros de mulheres que lamentam, velando o caixão. Pois o moribumdo
à todos conquistou em vida. Junto com os cântigos estão os urros de dor profunda, profanados como um pedido de que ele fique... mas ele se foi. E em meio à palavras de consolo, todos nós descobrimos que a hora chegada é real, e a morte veio com ela para buscar aquele que estava entre o nosso amor.
Partimos para a cova num desfile de tristeza. A saudade está abraçando à todos nós pois a sentimos em meio ao torpor. E vamos caminhando cabisbaixos, tentando entender a partida com a dor montada em nossos ombros.
Nós apenas gostaríamos de que seus olhos cerrados ganhassem vida e sorrissem para nós com o explendor daquele azul. Desejávamos apenas que aquelas mãos calejadas do trabalho duro, voltassem a se estender para um aperto de mão simpático e caloroso. Mas o corpo do nosso querido ente continua dormindo o sono eterno, e enquanto a terra revolvida volta a cobrir a cova agora preenchida, temos a completa certeza de que nesse sono permanecerá.


Descanse em paz meu querido avô. Estarás em meu coração.
Empale o amor numa mortal cruz que carregues,
E leva-a consigo pela eternidade funérea.

Mate todo o bem enraizado no ínfimo,
E ignore os resquícios de seu doloroso amor.
Mesmo que tudo esteja em decaída vagarosa,
Ao chegar do fim entregue-se ao vagar torpor.

Esqueça por inteiro esta dor que há no coração,
E desista de lutar por algo sem valor.
As recompensas são inexistentes,
E tudo é um arrastar infinito de lamúrias e mágoas em tenor.

Pude entender este dolor combate escondido dentro do peito,
E deixei de acreditar no paraíso de que me diziam.
Com o passar do tempo este grande feito,
Fez-me viver dias que me doíam.
                   
Eu decidi:
Congelei meu coração, pois não queria mais amar em vão!
Suprimi todo o amor, e me entreguei à dor.

Dany B atuou aqui. Obrigada (:
No tablado escuro com argúcia, as duas penetram no olhar de outrem, com infidáveis vinganças escondidas nos recônditos de seus corações. Por anos, cruzaram os confins de terras malditas em busca de resquícios para alimentar a profunda cólera que as levaram adiante.
Por fim, ao encontrarem-se, depois de tantos sopros inocentes de vida suprimirem, dançaram loucamente uma luta tempestuosa, onde todos os demais servos puderam observar do ínfimo, as verdadeiras faces de suas mestras.
A conflagração espalhando seu fogo que crepita com o flagelo de duas damas movidas e feitas para se matarem. Nos golpes de espada que riscam as peles, o sangue verteja negro e resvala como mancha eterna do duelo mortal.  A morte se tatua nos dois seres que lutam com urgência, e as duas deixam a sanidade escorrerem pelos dedos como líquido sem cor.
Naquele tablado, duas mortas se enfrentam para sair à frente do direito de governar o corpo. As duas almas opostas vivem impasses antagônicos no declínio do cérebro humano, e elas os disputam vorazmente como duas aves por uma mortalha. Nesta luta, as sombras participam da plateia e arranham  as cordas dos violinos com ardor e sofreguidão.
Este conflito se arrasta cravado como tortura naquela que ainda resiste com duas vozes dentro de sua mente. E as duas que estão lá, nos labirintos anatômicos da resistente, tornam o corpo um fragalho que caminha ao relento, desolado e aturdido... com anseio de gritar que isto é só uma contastação!
Correndo em câmera lenta nessa frustrante agonia muda, todos os meus planos explodem no vazio sem perdão. Intercalados estão os meus medos, escondidos e juntos com o escuro. Um ruído me lembrou que estou presa e que nada jamais poderá ser salvo. Inocência perdida!
Gritando sem voz nessas cavernas frias, o sol não mais conseguiu me achar. E pelo tempo que permaneço estática à espera de sinais, minhas últimas chances se esvaíram e eu não pude perceber. Inocência perdida!
E mesmo assim eu continuo correndo em câmaera lenta, sem chances, sem sol, sem absolutamente nada. Minha esperança grita, tentanto ainda lutar, e o trágico acontece me deixando perdida na escuridão... os medos me espreitam.
Quando um sorriso não contrastra com as lágrimas, eu não posso mais finjir ser a mesma. E não consigo esconder o quanto poderia estar bem se você estivesse próximo de mim... porque eu não vejo razões para ter de escolher entre duas coisas tão distintas. Aguardo com o coração vertejando dor, que a névoa se dissipe.

Stick e Lucas atuaram aqui. Obrigada amores.
Eis de aqui prostar minha pesada cruz,
Assombrando à noite sem nenhuma luz.
Nos vales escuros minh'alma caminhar perdida,
Gemendo clamores de uma morte sofrida.

Com espasmos eu sinto meu corpo trepidar
Enquanto assino as lamúrias infidáveis,
Com certo assomo aprender a respirar,
Os horrores em volta sempre intermináveis.

Penso que minha vida é só mais uma incógnita não resolvida,
Que qualquer dia será entendida quando da noite eu sair.
E quando não mais eu estiver escondida,
Dessa melancolia talvez eu consiga fugir.

E eu me pergunto nos meandros da solidão:
Sou eu uma desalmada? Cometi pecados insanos imperdoáveis?
Algum dia serei viva de novo? ...
As perguntas ecoam na eternidade sombria.

(Este poema teve uma grande ajuda de meu grande amigo STICK.
Valeu man, tu é o cara, rs.)
Quando eu vejo você minha vida se torna uma bagunça, troca as palavras. Pena que nunca tive a chance de falar com você, de abrir meu coração e expor meu sentimento, mas penso que palavras são inúteis para tudo isso que sinto aqui dentro.
Os amigos me falam pra eu te esquecer, seguir em frente, mas eu insisto em te querer, porque na verdade meu verdadeiro amor é você.
Em todo canto te vejo, em toda ocasião te quero e meu desejo é descobrir o sabor do teu beijo, o calor do teu abraço, te sentir perto de mim, porque só assim me sentirei bem.
Não sei mais o que faço, a cada dia que passa te vejo mais distante... mas um dia pegarei em tua mão, te falarei coisas que não ouviu ainda, e te mostrarei que te quero mais do que você imagina.
Desde o primreio dia que te vi me encantei, e tive a certeza que você era mesmo aquilo que sempre procurei.
Meu bem, um dia vou te tocar, te beijar, te mimar, e mesmo que não dê certo,você vai lembrar de mim. Porque sempre serás minha eterna namorada, porque depois de você não vou precisar de mais nada.

(Escrita por Lucas "4Kaos" e Rayelle)
Em meio aos torpores eu caço por alívios em pequenos potes. De uma pequena injetada todos os males se vão. Possessos meus pensamentos se enrolam nas próprias leis, pelas ruas eu cuspo os meus medos desacreditados.
Continuo na viagem, estou num mundo só para mim. Quando saio à noitem em bando tenho moral, e me escoro no exterior rebelde para à muitos impressionar. Aos vícios, me entrego por inteira; onde posso mergulhar num túnel colorido e fora do comum. Enfrentando a vida com ardor e urgência, eu passo correndo por aquilo que me prende. No olho do furacão eu invalido a sanidade me jogando sem limites à tudo que morfinize a realidade. Continuo na viagem, estou num mundo só para mim... e nele eu definho por conta própria.
Eu me pego ao que me faça esquecer do resto, e ponho todos os meus fracassos em canção para torná-los públicos. Eu construo hinos numa roda de alienados que resvolveram viver paralelos, e entorpecidos, pomos para fora a face interior que tanto escondemos.
Continuo na viagem, num momento indescritível. Eu flutuo na minha própria mente, eu charfundo no copo e seu líquido. E num último grito reprimido, eu gostaria de dizê-lo: "Fuja com seus medos, já não acha os meus suficientes?".
Em desassossego a cabeça vai à desaire; eles juntos podem pensar em calmaria. Quando unidos pelos próprios conflitos, eles se apoiam e arrancam o amor um do outro. Os dois amam a dor desta euforia e estam viciados pela loucura que os dominam.
Neste enleio que vez por outra sentem de seus atos, vão se entregando mesmo assim aos disparates que tanto assustam os alheios. Se amam e esnobam da vida normal que todos seguem.
Exânime está a censura, e os libidos estão à solta. Por ali mesmo, nas ruas, desfilam em protesto de mãos dadas, e não estão para ninguém em momento algum.
Multidão raivosa defensora dos princípios de Deus, seguram as pedras para atirar, preparam a fogueira para queimá-los e clamam para vê-los sofrer. Juntos estão só; nadando contra a corrente uma hora se afogariam na própria ousadia.
Mas o casal do inferno não teme, a dor esteve por ali sempre parceira. Dizem suas próprias línguas que a vida ou morte não intimidarão, e estão casados nesse cenário do contra. O laço que os une é sangrento e desalmado, e eles dançam esta provocação para toda a sociedade. Enquanto todos carregam nos ombros as acusações que despejam para os amantes do inferno, eles próprios, despreocupados, andam e agem com o sarcasmo como sombra; sempre zombeteiros da própria polêmica que causam.
Este amor que arde como fogo, vivo e viciante, queimando com um fulgor incontrolável, com uma insanidade indescritível, com uma ousadia inexplicável... é um impulso que os invade como um demônio que não pode ser expulso de seus corpos insanos.  E estes dois apaixonados obscuros carregam consigo tudo que os outros podem temer, arrastam e causam medo involutariamente.
Então pegue você sua pedra e se junte à eles também, porque talvez julgue que amar seja algo definível e o estereótipo disto precisa ser sempre encantador. Empurre-os você também para a fogueira, porque talvez ache que um amor livre e indominável nunca o achará. Você vai morrer tentando adequar o mundo à seus princípios. ;)
Ao nublar da tarde encontros casuístas passam a dar o ar da graça. Coibidos, os transeuntes correm mais rápidos que a própria sombra, e suas caricaturas são aços indestrutíveis.
Ao nublar da tarde os pensamentos tornam-se silenciosos. Nos cômodos dos olhos estão os frios sonhos deixados para o 2º tempo. Os  segundos morrem sempre cômputos, e a realidade é um termo tão surreal.
A tarde nublou, e a canção morreu... e todos se perguntam onde foi parar o amor. Porque eles corriam para alcançá-lo, mas estava escondido no bolso da desilusão.
Agora desiludidos estão os que corriam por ele, e só os resta esperar a noite avançar.
Estou parada em meio aos corpos que se agitam com a música. Estou procurando enxergar o seu rosto no rosto dos outros. Por um momento o coração acelerou pensando que o tinha visto naquela multidão, mas era só mais um cabeludo para confundir meus olhos perdidos.
O ritmo é tentador, mas eu não consigo me entregar. Me sinto presa à sua tão real ausência. Eu estou sufocando aqui, por você não estar ao meu lado.
Estou vivendo por obrigação a cada dia em que me lembro do impasse. Dentro de mim ferve um vulcão clamando para explodir. Nada tem mais a graça de antes, tampouco a essência que me fazia sorrir.
A agonia me pergunta onde você está senão aqui; ela irrequieta a sobra da razão que eu ainda tenho. Procuro alívio em diversões e tarefas, mas o seu nome está sempre gritando dentro da mente. Lapsos de sua foto e de seu jeito de andar, me atigem com um mau cruel.
De repente nada mais neste show me agrada; eu vejo que a música não sooa agradável aos meus ouvidos. Os corpos que saculejam descontrolados me empurram e me jogam, enquanto eu tento abrir caminho por eles. No momento, meu único objetivo é achar a saída e fugir dali. E, enquanto corro por estas ruas soturnas, sua memória vem em meu encalço... atormentar.
Meus olhos cegos cheios d'água não puderam enxergar o que me vinha, o clarão torturante e eu fui jogada ao longe. Quando o escuro e o nada me abraçaram, de você não pude lembrar. A dor havia partido e eu agora sou um único sopro longe de você.

O sol caiu ao longe no horizonte, e os olhos do fidalgo cortês pousaram sobre a cruz. Adiante ele caminha para o sepulcro onde jaz a alma de sua dama. Seu coração anseia pelas memórias póstumas da amada, mas a solidão é tão negra que só o deixa enxergar a morte. O fidalgo cortês aguarda as meia-noite's para despejar sua amargura sobre o túmulo, a dor montada em seu ombro chora suas lágrimas em pêsame.
Não existem mais dias para ele viver, mas estar sempre em prol de seus próprios distúrbios em retalho. Sua felicidade foi enterrada junta com o amor, e pelos seus olhos caminham escuros poços de tristeza como estandartes para declarar a sua tragédia pessoal. Pelas noites, sozinho ele caminha, com o machado por sombre o ombro para desenterrar da cova o corpo que teve em seus braços. Para tomá-la novamente num abraço de amor e morte.
Ter nas mãos os braços frios dela, que antes eram instrumentos de elegância  feitiço. O fidalgo cortês amenisa sua dor com este ritual macabro de abraçar sua esposa morta, como para unir mais o laço sombrio que os mantém juntos no espaço incompreensível das trevas. Ele vaga solitário pelas terras mais afastadas, procurando a morte para que assim possa se deitar eternamente. Mas o fidalgo é um anjo que a noite patenteou...
Figura moldada à escuridão, já pertence à tristeza e às noites sombrias vindas do acaso. Ele está preso à vida, e não há morte alguma que o arraste para o escuro. Ele não consegue morrer para se juntar à ela... está fadado à celebrar eternamente sua viuvez.
Eu nunca escondi o que sentia, mas ser sincera para você não é ser o bastante para se interessar. No fundo eu sabia que estava sozinha neste jogo. E que logo você se cansaria de ouvir minhas juras e me ver entregar o amor.
Eu só signifiquei um brevemente no tempo de sua vida. Você no entanto, devastou toda a sobriedade que ainda em mim existia, e arrastou os meus certos para longe do alcançe.
O que me consola é saber que uma hora minha memória o esquecerá. Haverá um dia em que você não será mais o devasso que acabou com o meu coração. Você também será apenas uma lembrança incômoda.
Essa sensação de caminhar pelo vazio, sem firmamento pra pisar, deu-me a prova de certas impurezas provenientes de mim mesma. Há tanto tempo achei que estava sã, e confiava em minhas próprias afirmações, que quando olhei para o meu outro eu, percebi que o real era desbotado, e que nem em mim poderia confiar.
Quando você crê fielmente na sua imagem construída, as outras faces são só vestes temporárias do seu diário tormento. E foi isto que descobri... que quem eu acreditava ser, não passava de um personagem criado pelo lado dominante.
Não foram somente as horas que gastei om a minha solidão, reponsáveis pelos muros que surgiram à minha volta. Mas  também as pequenas tragédias diárias que me levaram pela mão para o antissocial. Quando o coração se partiu no chão, não voltou a bater como deveria.
Foi fácil e frio perceber a distância esticando sua palidez pelos lugares que vivi. Como só eu estava trancada neste mar sôfrego de estranhas formas que me eram amigas, a vida vivida por mim era diferente da outra vivida pelo mundo. O ritmo mais lento ía sem pressa e se arrastava com dor, as flores murchas, cores invisíveis... entre quando paredes eu me escondia do sol. Deixeio coração cair por terra, e ele não voltou a bater como deveria.
Dentro do âmago as águas lamacentas sujavam o que restava de bom, e com os dias morrendo, eu pude melhor sentir as teias intricadas se formando. Não, não havia como eu me disfarçar de peça para entrar no terrível jogo social.  Desta vez eu própria joguei o coração, para que o partisse e ele não batesse como outrora foi...
Depois de vividas fases quase não existindo no dia-a-dia, aquele vazio de firmamento me disse adeus, e uma senhora de manto negro me pôs nas costas por corredores vazios. A senhora era gentil mas não tinha rosto, e funcionava como morfina no meu corpo enfermo. Foi esta senhora que esmagou por fim o meu coração, e as batidas não mais existiram.
Finalmente esta senhora decretou o fim de meus tormentos internos... a guerra contra mim mesma é chagada ao fim.
Pelos muros estão pichados cognomes de tragédias. As memórias eu vejo se arrastando pelas calçadas, e elas me falam que o tempo foi conciso. Ali nas janelas aparecem os rostos debelados, e as almas surgidas têm o seu declínio interior. O medo cavalga assoberbado, rindo de seus próprios feitos, e um tanto quanto perdidas estão as horas presas em seu calcanhar.
A morte eu vi ali, sentada em seu túmulo com o seu violino lacrimoso, rezando pragas débeis para confrontar o seu flagelo. As gárgulas sorriem com um corte feito na face de pedra, e seus olhos encaram sem vida a lua cheia despontada no céu. Um corvo passou apressado por mim, mas deixou-me o seu gentil agouro inusitado. A noite me cedeu o seu manto para que eu contemple o tempo indecoroso ao meu dispor. E por razão nenhuma, senti imenso desejo de espalhar meu sangue pelas folhas secas do chão.
A sanidade lacônica perdurada por um fio preso no firmamento; por estas ruas infectadas eu caminho para conhecer um pouco do vazio. E ao meu redor as almas dançam suas próprias ladaínhas, ao passo que as árvores cantam os seus ruídos em louvor. Vou desfilando pelas esquinas com a minha fragilidade louca, nesta cidade roubada do cenário infernal. E perdidos nos meandros destas mentes esquecidas, estão os súplicos murmúrios pedindo para cessarmos.
Estive perdida dentro de mim mesma, sufocando com as palavras que não pude dizer. Não posso declarar o amor que sinto e, no entanto, não tenho mais controle algum do que faço.
Se fico um instante sem pensar, você despenca em meus devaneios. Eu tenho sérias convicções do seu feitiço, mas mesmo que eu saiba como lidar com esta insanidade, não posso deter meu coração.
Tão cruel sentí-lo do outro lado da cidade, saber que talvez por acaso podemos nos encontrar... e nada disto acontece. Dói saber que você está aqui perto, quando eu não posso ir ao seu encontro.
Meu único deleite ao ouvir sua voz nas noites escolhidas; amando-o em segredo até o fim. E essa agonia de não poder gritar... machuca no peito um amor reprimido.
Não poder estar ao seu lado comprova que pior que morrer é viver sem estímulo algum. Se não posso despejar o amor para você, o causador da minha insônia, como verei sentido nas coisas em que você não está?
Gostaria de mandá-lo embora de meus pensamentos, se pudesse... apagar você de dentro de mim. Mas você controla minhas ações. Estou perdida nas suas mãos.
Talvez; talvez uma hora meu coração não dispare mais, meus olhos deixem de enxergá-lo em outros rostos, o vento canse de trazer sua voz e sua presença nas noites sem amor.
Algo me diz que este fogo de sofrer logo terá fim. E nessa hora você, de vez, não irá querer saber de minha dor. Quando, por fim, você se cansar de me ser apenas gentil, irá sumir com o meu coração... levando-o no bloso sem nem mesmo saber.
E eu torço para que o dia negreje logo.  Estou caminhando para esquecê-lo, agora que a ilusão de estarmos juntos me abandonou. Vou dar o meu último suspiro e lhe dizer adeus.
Não tive o seu amor porque talvez o amei demais!
Quando finalmente sua procura cessar, você não terá mais por quê caminhar perdido. Você escolheu não estar comigo e assim eu aceitarei.
Quando afinal você não estiver mais em meu coração, eu poderei suspirar um alívio e dizer "nunca mais!". Você escolhe não fazer parte da minha vida e isso não mudará jamais.
Esqueça então, o papel de arrependido. Eu não cairei novamente neste teia. Todos os males feitos por ti, já foram reprimidos. Eu só lamento.
Quando felizmente o amor morrer e assim eu for junta, não te deixarei nem uma pequena parte de mim. Não tenhas esperança alguma.
Eu própria me enterrei. Eu mesma fiz questão de acabar com os laços que nos unia. Então... quando algo cair do céu em forma de chuva, lembre-se de que são as lágrimas que eu derramo por nós.
Posso te entregar minha dor?
- Ama-me apenas com ardor.
Quantas noites terei que suportar viva?
- Muitas serão, até a partida.
Como sobreviver a este vazio?
- Esquecendo um pouco o sombrio.
Há quantas anda minha juventude?
- Terás que buscar mais plenitude.
Onde está minha razão?
- Perdestes na escuridão.
Sou eu uma completa insana?
- És alguém que muito ama.
E isso é o bastante?
- Torna a vida menos errante.
Quem és tu que me responde invisível, tomando minhas dúvidas para si?
- Sou ainda o pouco de certo que te resta, enquanto enfrentas todas as frestas abertas em ti.
E foi naquele dia em que descobri ser por inteira, apoiando-me em mim mesma quando não tinha ninguém que o fizesse.
Caminhei por ruas vazias à noite, conhecendo a Solidão por inteira. Ouvi os sons da vida noturna; gritos, risos, músicas vindas de janelas acesas. Do mesmo modo enquanto andei, enxerguei curiosos rostos que me espreitavam do alto.
Tropecei em alguns empecilhos esquecidos por aqueles que ali passaram. Em alguns momentos senti dor, frio e fome; mas não desisti de ir em frente. Arranjei algumas feridas dolorosas e por alguns instantes esqueci até quem eu era.
Andei por muitos dias numa busca infame, e, enquanto andei, perdi a cabeça e a sanidade... mas nunca o coração. Depois de assim viver, em algum momento perdi a noção de tempo. Lá atrás eu deixei o resto da razão.
Atravessei todos estes mares sombrios com uma única esperança dentro do peito. "Todos os martírios serão recompensados quando eu o encontrar", dizia a mim mesma. As dores eu abraçava conformada.
Uma pena que ao fim de tudo você não fez valer a pena. De nada valeu ter sofrido, se não havia alguém que por isto chorasse. Grande verdade cruel esta que me atingiu... nunca tive o seu amor!
Agora, nada mais simples e óbvio, que me afogar em auto-piedade. Nada mais certo há fazer senão eu própria me jogar nas correntes do rio... me levarão para o incerto.
E eu peço-lhe que não me dê sua mísera pena. Apague simplesmente de sua memória, o pouco que eu signifiquei. Já tenho meus próprios fantasmas como companhia, e as suas lembranças eu empurro para o recanto da mente.
Continuo caminhando como noturna, dona da noite. Mas agora não mais por você. Eu vou arastando meu corpo cansado pelas madrugadas, derrotada. E tenho o direito de querer que as ruas sejam só minhas.
Estou só, caminhando a passos lentos com a Solidão.
Para tê-lo ao meu dispor, escrevi teu nome à sangue. Longas horas gastei, arriscando poções maquiavélicas e sem escrúpulos.
Quadros tortos, carcomidos. Os anos riscaram o desenho da tua partida. Eu, no entanto, nunca desisti de voltar a possuí-lo. Porque mesmo que digam que é doença, eu jamais deixo meu ego se abalar.
Aqui, nesta casa que foi tua, os ares estão turvos e fúnebres. Mas eu o espero de braços abertos para o nosso cárcere eterno.
Não esqueça de meu amor, e de que eu faço tudo para prová-lo. Não duvide do que sou capaz para que você me ame como sonho.
Eu o terei para mim, ainda que o preço seja alto. Não me importa dor alguma ou qualquer contestação. Ainda que não queiras, ainda assim, terá que me amar!
  Estive certa de que essa fase chegaria; os ritmos cessaram para confirmar. Durante eras longas para nós, as cores eram vivas e incutiam ilusões na alma. Para nós, as mensagens estavam pelos muros escritas à tintas que pertenciam aos nossos olhos. 100 anos para dois imortais iludidos, e acreditávamos como cegos neste laço.
Mias veemente do que deveria ser, as coisas se foram... e restou o rastro de tudo que vivi. Você foi com elas, e, no entanto, mitificou seus gestos em minha memória.
Não obstante, os dias tornaram-se nefastos com cortinas nubladas me envolvendo o coração. Era de se esperar que os agouros fossem mais constantes; mas não supus que estes sentimentos violentos me alcançassem no meu refúgio.
Tornou-se fácil e diário que eu charfunde nesta lama adorável de dor. Eu descobri que ela age como morfina enquanto eu seco as lágrimas com o meu próprio vazio. Meus olhos despejam a àgua que já não amam mais.
Soube que, quando o nosso amor se vai, nada mais funciona como antes. E agora... o silêncio me sorri sentado na poltrona que antes era sua. A solidão está nas ruas por onde eu e você andávamos antes. O antes que não volta mais.
Então eu me entreguei à tua ausência. Deixei que ela me levasse de encontre à ti. Então me espere na eternidade!