O mais difícil é o mais preciso. Entregue-se ou volte para o seu lugar!
Aqui só os loucos são aceitos, enquanto os bons caminham nas faixas brancas. Não irás encontrar nenhum amor. Não verás brandura alguma. Nenhuma emoção aqui prevalece. Portanto; não sobreviverás.
Só os fortes permancem no final. Somente eles estão preparados para extinguir o que ainda lhes resta de humano.
Somos filósofos de um sistema cíclico. Somos mestres em pôr fim em vidas que não significam nada para nós. O mundo nos pertence! Se curvem, ou irão parar num monte de corpos inúteis. Curvem-se aos meus discursos ou irão ver suas vidas resvalando na escuridão.
Somos os eleitos para conduzir este mundo! Quem for contra os nossos preceitos, paragá caro por sua audácia.

Seja doce e normal e me diga o que eu quero ouvir. Proteja o que ainda resta de bom em mim. Finja, se puder. E invente que as coisas acabam bem no final. Seja doece!
Eu posso conviver com a farça. Posso me forçar a acreditar que tudo é puro e que o mundo é a morfina de que preciso. Seja doce! E minta.
Você sabe que no fundo eu não quero os fatos e sim o que me faz sentir melhor. No fundo; eu só quero provar de novo os tempos de criança. No fundo eu quero fugir do que dói.
Seja doce e o faça! Preciso que você diga que vamos finalmente ficar juntos. Seja doce e o diga!

O corista já saiu do placo deixando a platéia esperando pelo final. As cortinas agora correrm em dimanação, com encantamento propício a consolar.... dizer que o show acabou.
Então todas as diligências são profundas e direcionadas à fazer com que todos se distraíam enquanto a vida se desenrola no contar do tempo. Tudo é estonteante para o ator que tinha em suas mãos as falas de antes, que agora se foram em um fato desconhecido. E ele se pergunta por quê. Ele se pergunta quando deixou de ter controle sobre seu papel.
Hasteada, acredite; estão os retratos de outra face espelhadas pela cidade. Elas funcionam como armas para lembrá-lo de que ele já não é tão aplaudido quanto era no ápice de seu sucesso. Quando era os seus retratos que estavam espalhados.
O corista lhano foi esquecido pelos contempladores. Os placos o despreza. Todos o olham de esguelha. Foi abandonado!
Ele descobriu a verdade crua que a vida esquece de ti com o tempo. Os valores deixam de serem importantes e... tudo o que você foi antes com sucesso, hoje está jogado aos cantos pra ser lembrado por ninguém.
É a verdade que te espreita também!
Seu esforço artístico e criatividade não valem de nada para os novos tempos.

O duque caminhava pelas ruas noturnas tentando fugir de sua maldita vida. Inesperadamente foi atravessando a rua quando a última coisa que viu foram os faróis cegando seus olhos.
Ele acordou e já não era mais o mesmo de antes. Sua vida maldita de que ele tentava fugir agora parecia distante. E lembrou-se... lembrou-se dos faróis, da escuridão e do sentimento de fim.
Agora ele têm uma pedra posta sobre o coração. Seu sangue virou barro e de seus olhos não escapa nenhum brilho. Transformara-se em lata e sucata com sistemas programados para cumprir ordens. De seus lábios só escapam agora, palavras de conformismo que aceitam e acatam. Nada de questionar!
Sentimentos e amores não podem mais existir em seu mundo, porque de seus olhos não escorre mais nenhuma lágrima, e seus gestos são repletos de obediência.
O duque de ferro anda com seu corpo rangendo e protestando. Seus pés arranham o assoalho. Sua vida agora nada mais é do que um tablete de tarefas; tais que ele cumpre cabisbaixo e com medo de ser castigado.
O duque só têm a noite para amar. Lambrando-se do tempo em que vivia a humanidade da vida, do tempo em que podia ter raiva do que quisesse... ele fica no sobrado amando a lua... balançando seus pés de lata. E sonha... sonha em um dia poder sentir o seu sangue correndo pelas veias.

Com um bom começo eu talvez pudesse lhe dizer o quanto eu sofro por não caber em ti, e por tê-lo perdido sem ao menos tê-lo tido por inteiro. Diante de noites vazias e sem cores, eu me via sem rumo, sem olhos para olhar. E eu me faço transparente para que você finja me entender. Me coloco em ti à distância sem sonhar. Se chegares todo vivo, não me consuma pelos erros que errei. Fazes de tudo para que nada venha antes do querer. Se me distraio é para não sofrer demais. Então fique, e divida aqui o teu riso. Me conte fatos de que nunca me lembrei, e me faça ser tua anja perdida. Se chegares todo vivo, não se surpreenda; tua falta abriu em mim buracos difíceis de curar. Eu te suplico que me dê tua vida, aquela que vi prometeres em teu olhar. Não solte o laço que me amarra a ti; não guarde na caixa o amor construído. Só entenda que eu preciso correr pra fugir de mim mesma. Só perceba o meu enigma e me deixe repensar. Não me liberte, ainda tenho que vagar. Vou soltar as trancas das nossas aparências, deixar que elas caiam por si só. As circunstâncias e os meus atos vão calar, sobre essa dor divina que me vem tomar... A dúvida!
E nesse jogo só quem perde pode achar, as lamparinas para encontrar... A cura! Quem adormece nunca para de sonhar. Encontra novas arestas em circunstâncias, -linear-. Eu invento histórias do tipo que quando se têm não se deixa escapar. Meus olhos podem se molhar todos os dias, mas eu ainda tenho sonhos para sonhar. E não se esqueça de que tudo é importante, porque eu fiz da vida uma circunstância dividida, aquelas duas partes que representam Eu & Você!
Se por acaso não tiveres mais ânimo, me deixe ir e destruir os vestígios. Me deixe ser só e viver sem ar. Ainda me lembro do cenário imprevisível, onde existia olhos falantes que me falavam em um belo dia. Ainda vejo na mente o que esforço para abominar, e sinto um tanto de náusea sozinha à noite. Eu me enfrento de igual para igual, buscando coragem na outra do espelho. Eu me encaro e aponto para a dreção buscando teus olhos, todo vivo, nessa vida de circunstância!

Estou ouvindo os trovões avisando que irá começar. Todos os amores estarão extintos nessa hora e só restará a dúvida. A qualquer momento os mortos se levantarão para sibilar chiados de fúria. A água escorre... e será infectada por eles.
Sinto a sanidade se esvaíndo e entrando pelos esgotos como ratos fugindo da luz. Todos na verdade, fogem da luz. Mas agora é noite. E eles podem vagar e se arrastarem pelas calçadas espalhando a imundície. Espalhando o medo que eu não temo.
Sou a única que restou. Fui escolhida para permanecer viva entre os mortos. E eu não sinto medo. Quando caminho embaixo dos raios do sol posso sentir apenas os olhos escarlates me observando com dor. Olhos escondidos em buracos negros, pertençentes à corpos moribundos que desejam ser como eu. Desejam ser livres à qualquer hora. Mas a noite os prendem... e eles só libertam-se na escuridão.
Eu sou a grande cúmplice da morte. Protejo os mortos-vivos pois eles não tiveram escolha alguma. protejo-os do sol que os mata, e compartilho com eles da escuridão da noite.
Sempre andarei com os mortos-vivos. Sempre à meia-noite.


Eu me olho no espelho e vejo que já não sou mais feliz. Pergunto-me como deixei que as coisas chegassem à esse ponto se eu tanto me esforço para trilhar os melhores caminhos. Utopias passaram a ser minha sombra. Ofuscante e cinza, meu mundo vai se apagando, e quando a chuva escorre... eu deixo que ela me leve consigo.
Perco as coisas antes de obtê-las, vejo meus sonhos destruídos antes mesmo de eu poder expressá-los ao mundo. Minha vontade ignorada, eu sendo obrigada como se não existisse. Estou vivendo sem forças, sem brilho, sem perspectivas. Eu hoje tento imaginar o meu futuro e não vejo nada além do que vivo agora. Não consigo imaginar uma inerência desse  destino.
Inescrupulosamente a vida impõe, e eu me sinto inefável à narrar o que transpassa meu coração nesses momentos. A mesmice de praxe tomando cada célula de vida ainda existente em mim.
A vida deixa lacunas no meu coração, lapida crateras na alma,e rouba o brilho dos meus olhos. "Deixa-te como presente uma legião de precipícios emergindo das memórias ruins."
E os rostos envelhecem e se cansam, e nos cansam, e a vida não te dá escolha e você não sabe pelo o quê implorar. Tudo fica muito triste e escuro, e mesmo que ainda haja sonhos a realidade os destroem, deixando mais uma vez a dor da decepção de nunca ter obtido o que se queria, ou a decepção do tão pouco e depois... o fim.
Não resta mais nada, e nem nada a perder, e assim o nada vai tomando conta e faz como que eu fique aqui... finjindo existir. E é nesse estância do coração, que eu vivo por fim.

Habitar cantos escuros; o seu deleite. Caminhar pela noite arrastando os pés para ir sem pressa. Seu vestido em farrapos vai se sujando de areia, enquanto a mestra caminha para ensinar aos seus servos.
Os olhos brilham ao vê-la. Reverências de submissos são feitas. Mas ela despreza tudo com dissabor. Recusa oferendas de gente que lhe é insignificante.
Ela dá sua palestra sábia e habitual, com seu profissionalismo de ser experiente. As palavras envolvem os ali presentes como cobras que enfeitição. Quem olhar nos seus olhos se perde ali mesmo; esquece quem é.
A figura elegante deixa sua aura no ar.... todos estão extasiados de fascinação por aquela voz. O feitiço os prendeu na teia daquela feiticeira deslumbrante.
A mestra caminha de volta para o seu castelo. Os gatos saem dos becos para vê-la passar. O vento canta uma canção de amor para ela. E lá em cima a lua oferece seu brilho para iluminar os olhos fulgurantes e feitiçeiros da rainha da noite.
Os corvos a esperam... e ela tão bendita, risca seu pulso com a lâmina do punhal, deixando vertejar seu sangue desejado pela as aves negras que o bebem vorazmente.
A dama de negro fecha-se em seu castelo com um sorriso nos lábios negros. Planeja desfrutar de sua própria companhia, enquanto com uma taça de sangue inocente... dança seu deslumbre com o lírico da canção.

Te vejo vagando como uma criatura sem vida.  Te vejo no meio das sombras da meia-noite. Nem ao menos descubro teus olhos, para que talvez eu os possas descrever. Eu sinto sua dúvida no coração, eu vejo seu sorriso triste e forçado. Sei que o sangue pulsa doendo em suas veias, sei que você procura respostas para o buraco que existe em seu coração. Sei de tudo isto pois... Eu sou você! Eu sou aquela que você vê refletida quando olha o espelho. Sou tua sombra, teu desfoque, um padaço desconcertado do teu brinquedo torto. Eu sou tua parte dividida; aquela que se aninha no que você não pode explicar. Estou dentro das tuas entranhas, do teu passado, teus pesadelos. Dentro do raio que caiui na folha seca. Sou o fantasma que te fala das me mórias, sou a voz que te diz pra ter medo de alguém. Crio marionetes e faço um teatro onde você se perde no caminho, onde você fica sem reflexo, onde você fica sem voz. Te faço falar uma lígua estranha, te faço ficar sem rumo, te faço gritar sem eocar. Seja noite, seja dia,você sempre pode me encontrar. Basta ler as mensagens que eu lhe deixo nos muros por onde você passa. E mesmo que os anos passem, você não precisa tentar, eu não me explico nem me descrevo, simplesmente insido na sua alma. Não se reprima, eu me moldei nas linhas das tuas mãos, eu penetrei no ponto de luz dos teus olhos, eu fiquei no Desfoque na fotografia, e de lá... NÃO SAIREI!

Caminhando a passos cautelosos para não despencar. Eu vou devagar para não ter vacilos, para não temer o pior.
Quando eu olhei para o chão vi que não tinha onde firmar meus passos. A vida acenava dando adeus à uma malabarista em cima do abismo.
Nossa ligação foi cortada hoje quando percebemos que não havia mais amor. Então você se foi carregando malas mas esqueceu o paletó antigo de lembranças. O cordão me seduziu...
Disse que nele podia caminhar. Disse que dele eu podia fazer acessório e enfeitar meu pescoço, enrolando para aliviar.  Eu não temi. Você me empurrou para o escuro, então agora eu terminarei com o resto. Agora... vou apertar o nó do cordão e dar adeus à todas as coisas.