Meia-Noite

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Estou ouvindo os trovões avisando que irá começar. Todos os amores estarão extintos nessa hora e só restará a dúvida. A qualquer momento os mortos se levantarão para sibilar chiados de fúria. A água escorre... e será infectada por eles.
Sinto a sanidade se esvaíndo e entrando pelos esgotos como ratos fugindo da luz. Todos na verdade, fogem da luz. Mas agora é noite. E eles podem vagar e se arrastarem pelas calçadas espalhando a imundície. Espalhando o medo que eu não temo.
Sou a única que restou. Fui escolhida para permanecer viva entre os mortos. E eu não sinto medo. Quando caminho embaixo dos raios do sol posso sentir apenas os olhos escarlates me observando com dor. Olhos escondidos em buracos negros, pertençentes à corpos moribundos que desejam ser como eu. Desejam ser livres à qualquer hora. Mas a noite os prendem... e eles só libertam-se na escuridão.
Eu sou a grande cúmplice da morte. Protejo os mortos-vivos pois eles não tiveram escolha alguma. protejo-os do sol que os mata, e compartilho com eles da escuridão da noite.
Sempre andarei com os mortos-vivos. Sempre à meia-noite.


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