Só um instante de pausa para observar tudo. Fiquei estática para entender os rostos que passavam. Em nada pude crer!
Longe daqui, sob o sol, os passos são dados por corpos perdidos no firmamento. Eles caminham lado a lado em várias direções.
No entanto eu aqui permaneço; embaixo deste viaduto imundo rodeada de metralhas. Decidi parar um pequeno momento da vida e só esperar. Só ver as coisas tomarem rumos. Apenas sentar e olhar.... sem compromisso.
E aqui nesta cadeira eu me iludo, achando que posso pegar emprestado um pouco da felicidade dos que passam por mim.
Mas se você passar... verá a cadeira vazia. Porque você é feliz e só pode enxergar o que lhe convém. E eu só existo para aqueles que já provaram a versão negra escondidas nos viadutos. Eles estão cheios de cadeiras vazias... assim como eu.
Aquele... Que traz no sorriso a face do encanto, de brilho reluzente em olhos apaixonados, veem a fronteira que precisa transpassar para encontrar a vida que anda. Aquele que deixou para trás imprevisível, tudo que pudesse descriar um mundo em que não vivesse. Ele inspira o vento que passa e faz a vida ser mais bonita, tudo o que toca vira palavras que se juntam para tornarem-se poema, faz tudo ser importante e bendito, e quer sempre amar sem condições nem insignificâncias.
Aquele que não perde o fio que o leva à amada, mantêm contato com o que tem no coração e faz as ruas serem cheias mesmo vazias. Escuta os sussuros de amor ditos à longas distâncias de um coração para outro, e consegue telepatia sem esforçar. Ele tem o amor da lua, que o vê, lá distante pensando na existência. Ele destaca a paisagem, dá o ar da graça à toda criatura, planta sem querer, fascínio em corações estranhos e desencantados.
Aquele que escreve de presságio, e deixa implícito nas linhas uma mensagem, caso venha a se perder num sonho ele espera poder tocar os lábios de quem sempre entregou sua segurança aos anjos. Porque ele é aquele que nunca deixou de amar, sempre fez do raio de sol o prisma que ilumina sua vida, porque para ele tudo pode e é; e confins não vai muito além de uma simples palavra. Une poder e e arte, é a fusão da beleza e do amor, está presente e une todas as coisas, com a força de deixar tudo simples.
Aquele que não aguarda o quando, mas guarda paciente a ternura do tempo, que um dia trará mais vida à suas cores, que trará o A para completar sua vida e tornar suas noites mais belas e preenchidas. Ele é a luz que acorda com todas as manhãs. E eu... Sou só garota que sonha em viver.
                                                                                                                   Querida Morte,
  Venho através destas palavras solicitar-lhe que venha me buscar. Creio que houve motivos justos para que Vsª Senhoria não tenha atendido minhas outras solicitações e eu compreendo... são tantas almas para extinguir que talvez meu nome esteja em pendência por engano.
No entando, não tarde mais a bater em minha porta. Venha logo pôr um fim na Vida errônea que corre em meu encalço. Desde que ela soube de minhas tentativas de encontrar Vsª Senhoria, têm insistido em ser mais forte que os pequenos suicídios. Então não me deixe na lista de espera. Não quero esperar por mais nenhum tempo.
Eu tenho sempre tentado encontrá-la querida Morte; mas as coisas não estam dando certto. Então acho que Vsª Senhoria terá que fazer do modo tradicional e vir me buscar pessoalmente. Estarei esperando no cais sempre à meia-noite anciosamente por sua chegada. Ficarei atenta; venha me buscar.
Dona das Almas, deixe-me ir para o reino dos mortos. Atenda à minha súplica porque eu já assinei o contrato. Eu tenho já todas as coisas perdidas, então não existe mais nenhuma restrição. O formulário de falecimento já está preencido mas Vsª Senhoria ainda não chegou.
Minha querida Senhora, eis aqui uma alma que lhe escrever precisando de paz. Estou eu aqui, contando o tempo para sentir sua chegada. Aguardando ainda com a Vida, que insiste em ficar dentro de mim. Só você Madame Morte, pode dar fim a esse jogo. Meu coração aguarda sua ordem para cessar.
                                                Os cumprimentos,
                                                                          Solidão.
Nesse quadro maculável eu descubro personagens veneráveis. Eles madrugam no fogo... divino fervor!
Eu grito: "Clamem, maquiavélicos!" e os prantos desabam circunspectos enquanto o mundo negreja completamente.
E ouvem-se as vozes "Mate-os de uma só vez.", numa hora perdida na paisagem infernal.
Sinto-me calma. Aqui a dor me incentiva a ter ordinarismo. Eu vejo os pusilânimes e os empurro para a grande fogueira, onde ele possam queimar os seus pecados através do sacrifício da carne.
Sou putrefata; o coração mofou... segreguei-me do amor patético que os tolos insistem em buscar, e não há nenhuma humanidade guarnecida neste corpo demoníaco.
Este quadro pertence aos habitates da escuridão maldita. Contente-se em olhar!
Deram-me algumas chances de voltar ao tempo de antes. Eu encontrei tudo mudado e não tive forças para permanecer consciente.
Não tive nada para trazer para o presente. Vi a vida dentro de uma caixa que carregava em minhas mãos.
Mandaram-me de volta para buscar o obsoleto, mas do regresso eu nada pude trazer. A certeza pairou zombeteira...
Só pude vagar por lugares desconhecidos buscando incógnitas para tatuar em minha pele. Vaguei na ilusão de ter algo de meu; de possuir uma vida pra viver em que eu pudesse ser concreta.
Mas eu não existo, essa verdade me atingiu. Descobri que nasci do imaginário de alguém que coleciona marionetes. Ele me criou para brincar de construir minha história, e me levar à busca confusa do vago.
Não tenho nenhuma vida para viver. Eu não possuo fortalezas repletas de emoções boas e ruins onde todos se amam e odeiam-se e vivem achando que são inesgotáveis imortais.
Eu não existo! Sou um desenho feito a lápis que pode ser apagado quando já não serve mais. Porque fui inútil e não soube resgatar a vida falsa invivida. Porque frustei o plano do Criador de recuperar o perdido, o que ele almejava possuir. Fui a Inútil Marionete que não conseguiu recuperar o nada, e que perdura no buraco infinito do inviver por toda a eternidade.
Senti que preciso de algo de você, mas não sei como enfrentar tudo isso.
Quando todas as coisas se forem eu só terei você para lembrar. Então não me faça o amar mais ainda.
Eu digo a mim mesma que não posso continuar mas meu coração salta quando vê você. Eu tento, mas tudo têm mais poder.
Liberte-me dessa adorável dor de amar e diga que tudo vai amenizar. Eu  preciso muito parar esse sentimento; não pode crescer.
Eu continuo finigindo que não amo; preciso disfarçar. Peço-lhe que não me faça o amar mais ainda. Por favor, me ensine a desapaixonar.
No fim eu gostaria de quebrar as regras e esqueçer que não posso amá-lo. Mas não quero tragédias! Porque sabemos que tudo daria errado para nós dois.
Então me deixe esquecê-lo. Me dê a paz! Estou sufocando com esse amor. Ele tomou conta do meu ser.
Não me faça o amar mais ainda!
  Foi ilusão achar que poderia ser real um amor que nunca ultrapassou os limites dos dígitos.
As palavras escritas em teclas impessoais... digitar ali o amor que era sentido por dois corações distantes. Como foram tolos em acreditar!
Quando a verdade caiu por terra, todos os desejos se apagaram. O amor descobriu-se frágil e desamparado diante das reais circunstâncias ali desamparado diante das reais circunstâncias ali dispostas. De repente, amar um amo outro já não era mais suficiente. Precisavam de solidez para um sentimento nascido entre duas pessoas que nunca se viram. De repente deram-se conta de quão utópica estavam suas vidas... acreditando em algo enocente; algo complicado de viver completamente. um amor impossível!
Dos dois; ela foi mais fraca. Desistiu de esperar que um dia foi mais fraca. Desistiu de esperar que um dia viesse o tão esperado encontro. Cansou de tanta incerteza em volta de um amor já tão irreal, e decidiu que não poderia viver à espera de algo que talvez nunca se realizasse. Soltou os laços do amor que reunia-os!
Os distantes que eram juntos por um amor; agora são dois estranhos distantes que um dia viveram um engano.