Recuperar o Nada

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Deram-me algumas chances de voltar ao tempo de antes. Eu encontrei tudo mudado e não tive forças para permanecer consciente.
Não tive nada para trazer para o presente. Vi a vida dentro de uma caixa que carregava em minhas mãos.
Mandaram-me de volta para buscar o obsoleto, mas do regresso eu nada pude trazer. A certeza pairou zombeteira...
Só pude vagar por lugares desconhecidos buscando incógnitas para tatuar em minha pele. Vaguei na ilusão de ter algo de meu; de possuir uma vida pra viver em que eu pudesse ser concreta.
Mas eu não existo, essa verdade me atingiu. Descobri que nasci do imaginário de alguém que coleciona marionetes. Ele me criou para brincar de construir minha história, e me levar à busca confusa do vago.
Não tenho nenhuma vida para viver. Eu não possuo fortalezas repletas de emoções boas e ruins onde todos se amam e odeiam-se e vivem achando que são inesgotáveis imortais.
Eu não existo! Sou um desenho feito a lápis que pode ser apagado quando já não serve mais. Porque fui inútil e não soube resgatar a vida falsa invivida. Porque frustei o plano do Criador de recuperar o perdido, o que ele almejava possuir. Fui a Inútil Marionete que não conseguiu recuperar o nada, e que perdura no buraco infinito do inviver por toda a eternidade.


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Um comentário:

  1. Caindo por páginas em anjos,
    Sentindo meu coração ser empurrado para Oeste
    Eu vi o Futuro vestido como um estranho
    E o Amor em um colete da cor do Espaço

    O Amor é uma cena de sangue,
    E eu estou sangrando.


    Space-Dye Vest, Dream Theater

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