Pelos muros estão pichados cognomes de tragédias. As memórias eu vejo se arrastando pelas calçadas, e elas me falam que o tempo foi conciso. Ali nas janelas aparecem os rostos debelados, e as almas surgidas têm o seu declínio interior. O medo cavalga assoberbado, rindo de seus próprios feitos, e um tanto quanto perdidas estão as horas presas em seu calcanhar.
A morte eu vi ali, sentada em seu túmulo com o seu violino lacrimoso, rezando pragas débeis para confrontar o seu flagelo. As gárgulas sorriem com um corte feito na face de pedra, e seus olhos encaram sem vida a lua cheia despontada no céu. Um corvo passou apressado por mim, mas deixou-me o seu gentil agouro inusitado. A noite me cedeu o seu manto para que eu contemple o tempo indecoroso ao meu dispor. E por razão nenhuma, senti imenso desejo de espalhar meu sangue pelas folhas secas do chão.
A sanidade lacônica perdurada por um fio preso no firmamento; por estas ruas infectadas eu caminho para conhecer um pouco do vazio. E ao meu redor as almas dançam suas próprias ladaínhas, ao passo que as árvores cantam os seus ruídos em louvor. Vou desfilando pelas esquinas com a minha fragilidade louca, nesta cidade roubada do cenário infernal. E perdidos nos meandros destas mentes esquecidas, estão os súplicos murmúrios pedindo para cessarmos.
Estive perdida dentro de mim mesma, sufocando com as palavras que não pude dizer. Não posso declarar o amor que sinto e, no entanto, não tenho mais controle algum do que faço.
Se fico um instante sem pensar, você despenca em meus devaneios. Eu tenho sérias convicções do seu feitiço, mas mesmo que eu saiba como lidar com esta insanidade, não posso deter meu coração.
Tão cruel sentí-lo do outro lado da cidade, saber que talvez por acaso podemos nos encontrar... e nada disto acontece. Dói saber que você está aqui perto, quando eu não posso ir ao seu encontro.
Meu único deleite ao ouvir sua voz nas noites escolhidas; amando-o em segredo até o fim. E essa agonia de não poder gritar... machuca no peito um amor reprimido.
Não poder estar ao seu lado comprova que pior que morrer é viver sem estímulo algum. Se não posso despejar o amor para você, o causador da minha insônia, como verei sentido nas coisas em que você não está?
Gostaria de mandá-lo embora de meus pensamentos, se pudesse... apagar você de dentro de mim. Mas você controla minhas ações. Estou perdida nas suas mãos.
Talvez; talvez uma hora meu coração não dispare mais, meus olhos deixem de enxergá-lo em outros rostos, o vento canse de trazer sua voz e sua presença nas noites sem amor.
Algo me diz que este fogo de sofrer logo terá fim. E nessa hora você, de vez, não irá querer saber de minha dor. Quando, por fim, você se cansar de me ser apenas gentil, irá sumir com o meu coração... levando-o no bloso sem nem mesmo saber.
E eu torço para que o dia negreje logo.  Estou caminhando para esquecê-lo, agora que a ilusão de estarmos juntos me abandonou. Vou dar o meu último suspiro e lhe dizer adeus.
Não tive o seu amor porque talvez o amei demais!
Quando finalmente sua procura cessar, você não terá mais por quê caminhar perdido. Você escolheu não estar comigo e assim eu aceitarei.
Quando afinal você não estiver mais em meu coração, eu poderei suspirar um alívio e dizer "nunca mais!". Você escolhe não fazer parte da minha vida e isso não mudará jamais.
Esqueça então, o papel de arrependido. Eu não cairei novamente neste teia. Todos os males feitos por ti, já foram reprimidos. Eu só lamento.
Quando felizmente o amor morrer e assim eu for junta, não te deixarei nem uma pequena parte de mim. Não tenhas esperança alguma.
Eu própria me enterrei. Eu mesma fiz questão de acabar com os laços que nos unia. Então... quando algo cair do céu em forma de chuva, lembre-se de que são as lágrimas que eu derramo por nós.
Posso te entregar minha dor?
- Ama-me apenas com ardor.
Quantas noites terei que suportar viva?
- Muitas serão, até a partida.
Como sobreviver a este vazio?
- Esquecendo um pouco o sombrio.
Há quantas anda minha juventude?
- Terás que buscar mais plenitude.
Onde está minha razão?
- Perdestes na escuridão.
Sou eu uma completa insana?
- És alguém que muito ama.
E isso é o bastante?
- Torna a vida menos errante.
Quem és tu que me responde invisível, tomando minhas dúvidas para si?
- Sou ainda o pouco de certo que te resta, enquanto enfrentas todas as frestas abertas em ti.
E foi naquele dia em que descobri ser por inteira, apoiando-me em mim mesma quando não tinha ninguém que o fizesse.
Caminhei por ruas vazias à noite, conhecendo a Solidão por inteira. Ouvi os sons da vida noturna; gritos, risos, músicas vindas de janelas acesas. Do mesmo modo enquanto andei, enxerguei curiosos rostos que me espreitavam do alto.
Tropecei em alguns empecilhos esquecidos por aqueles que ali passaram. Em alguns momentos senti dor, frio e fome; mas não desisti de ir em frente. Arranjei algumas feridas dolorosas e por alguns instantes esqueci até quem eu era.
Andei por muitos dias numa busca infame, e, enquanto andei, perdi a cabeça e a sanidade... mas nunca o coração. Depois de assim viver, em algum momento perdi a noção de tempo. Lá atrás eu deixei o resto da razão.
Atravessei todos estes mares sombrios com uma única esperança dentro do peito. "Todos os martírios serão recompensados quando eu o encontrar", dizia a mim mesma. As dores eu abraçava conformada.
Uma pena que ao fim de tudo você não fez valer a pena. De nada valeu ter sofrido, se não havia alguém que por isto chorasse. Grande verdade cruel esta que me atingiu... nunca tive o seu amor!
Agora, nada mais simples e óbvio, que me afogar em auto-piedade. Nada mais certo há fazer senão eu própria me jogar nas correntes do rio... me levarão para o incerto.
E eu peço-lhe que não me dê sua mísera pena. Apague simplesmente de sua memória, o pouco que eu signifiquei. Já tenho meus próprios fantasmas como companhia, e as suas lembranças eu empurro para o recanto da mente.
Continuo caminhando como noturna, dona da noite. Mas agora não mais por você. Eu vou arastando meu corpo cansado pelas madrugadas, derrotada. E tenho o direito de querer que as ruas sejam só minhas.
Estou só, caminhando a passos lentos com a Solidão.
Para tê-lo ao meu dispor, escrevi teu nome à sangue. Longas horas gastei, arriscando poções maquiavélicas e sem escrúpulos.
Quadros tortos, carcomidos. Os anos riscaram o desenho da tua partida. Eu, no entanto, nunca desisti de voltar a possuí-lo. Porque mesmo que digam que é doença, eu jamais deixo meu ego se abalar.
Aqui, nesta casa que foi tua, os ares estão turvos e fúnebres. Mas eu o espero de braços abertos para o nosso cárcere eterno.
Não esqueça de meu amor, e de que eu faço tudo para prová-lo. Não duvide do que sou capaz para que você me ame como sonho.
Eu o terei para mim, ainda que o preço seja alto. Não me importa dor alguma ou qualquer contestação. Ainda que não queiras, ainda assim, terá que me amar!
  Estive certa de que essa fase chegaria; os ritmos cessaram para confirmar. Durante eras longas para nós, as cores eram vivas e incutiam ilusões na alma. Para nós, as mensagens estavam pelos muros escritas à tintas que pertenciam aos nossos olhos. 100 anos para dois imortais iludidos, e acreditávamos como cegos neste laço.
Mias veemente do que deveria ser, as coisas se foram... e restou o rastro de tudo que vivi. Você foi com elas, e, no entanto, mitificou seus gestos em minha memória.
Não obstante, os dias tornaram-se nefastos com cortinas nubladas me envolvendo o coração. Era de se esperar que os agouros fossem mais constantes; mas não supus que estes sentimentos violentos me alcançassem no meu refúgio.
Tornou-se fácil e diário que eu charfunde nesta lama adorável de dor. Eu descobri que ela age como morfina enquanto eu seco as lágrimas com o meu próprio vazio. Meus olhos despejam a àgua que já não amam mais.
Soube que, quando o nosso amor se vai, nada mais funciona como antes. E agora... o silêncio me sorri sentado na poltrona que antes era sua. A solidão está nas ruas por onde eu e você andávamos antes. O antes que não volta mais.
Então eu me entreguei à tua ausência. Deixei que ela me levasse de encontre à ti. Então me espere na eternidade!
Os anos me provaram que estou seguindo errônea. Os dias que eu vivo são complicados e pertubadores. As horas seguem me enganando e iludindo. Os segundos aqui já não estão mais.
A certeza que eu carrego nos ombros é que existem coisas fora do lugar. A vida que eu sigo está intricada num mar de sofreguidão. Simplesmente estou transitando num destino que não se encaixa com o que trago no peito.
As escolhas não sou eu que obtenho. Eu já não tenho mais importância alguma aqui neste universo. Porque os sonhos que eu sonhei para mim nunca serão reais. Porque certas forças conspiram contra meus pequenos desejos. Porque aqui eu apenas desempenho um papel, já que não tenho nada para chamar de meu.
Afogo-me nos fatos.... vejo os outros conseguindo algo, mesm que singelo; enquanto eu permaneço estática nessa trajetória sozinha.
Sinto uma dor imensa ao me deparar com a verdade de que minha vida é um nada, errada; sem nada de que eu possa me orgulhar. O tempo passa levando embora as oportunidades que eu tanto queria para mim. Estática a vida segue...
Em minha história não há nada marcante, nenhum progresso, nenhuma trégua da dor que me segue desde sempre. Em minha vida não há nenhum grande momento feliz.
As coisas não se encaixam, os planos se desencontram da realização. Tudo permanece no talvez. tudo deixado para muito depois. Os sonhos se vão e não voltam mais.
Então eu fico esperando que um dia minha vida encontre com o rumo certo e as coisas façam sentido. Permaneço esperando que o "dia feliz" chegue... finalmente.
   Nas primeiras semanas daquele mês o destino resolveu ser inopoturno. Não imaginava minha perdição caso encontrasse alguém para amar. O amor tomou as rédeas!
Mais cedo do que pretendia eu estava caída nestes teus olhos que para mim eram a forma de viver. Com você passei tardes de outono naqueles dias iludidos.
Era imenso e dominante toda aquela paixão que sentíamos em agosto. Mas em confidência nós sabíamos que de agosto não passaria. Seria uma daquelas paixões avassaladoras que são desenhadas em rabiscos permanentes em nossa vida porque jamais conseguimos esquecer.
E quando por acaso cruzassémos na rua, haveria um silêncio profundo em nosso olhar enquanto as imagens daquelas tardes passavam em nossas mentes. Depois retomaríamos os nossos caminhos fingindo que o Agosto foi fantasia.
Porque paixões são assim... duram um mês de nossa vida e depois tudo é ignorado. Preferimos apagar. E no entanto lá dentro sempre resta um fiapo de tudo que nunca podemos negar.
Enquanto caminhava pelas ruas escuras, a madrugada desfilava o seu manto sobre tudo. Meu corpo dolorido eu arrastava para mias longe o possível da cidade cruel. Eram 3:15 e aquele dia eu não esqueceria.
Dos castelos góticos apareciam rostos nas janelas. E de algumas direções pude ouvir passos desconfiados. Eu só queria vagar sem rumo para lugar nenhum. Havia lua cheia e nada  poderia ser mais lindo.
Meus pensamentos estavam intricados em si mesmo e o meu controle achava-se abalado nas entranhas do meu ser. Sobre meus ombros eu carregava o mundo que não lembrava de nenhuma de mim. Era tudo solidão e aquela dor eu jamais antes sentira.
Até eu me dar conta de que caminhava à beira do precipício, já não podia recuar, ameaçada pelos vampiors de almas... eu ali estava perdida. Havia toda a escuridão e ali eu morreria.
E quando caminhares pelos vales das sombras, há de lembrares da lágrima negra que derramei pela última vez quando chamei pelo teu amor!
Porque quando não há mais nada de bom dentro da alma, o que escorre para fora dos olhos é apenas a última comprovação.