Murmúrio

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Pelos muros estão pichados cognomes de tragédias. As memórias eu vejo se arrastando pelas calçadas, e elas me falam que o tempo foi conciso. Ali nas janelas aparecem os rostos debelados, e as almas surgidas têm o seu declínio interior. O medo cavalga assoberbado, rindo de seus próprios feitos, e um tanto quanto perdidas estão as horas presas em seu calcanhar.
A morte eu vi ali, sentada em seu túmulo com o seu violino lacrimoso, rezando pragas débeis para confrontar o seu flagelo. As gárgulas sorriem com um corte feito na face de pedra, e seus olhos encaram sem vida a lua cheia despontada no céu. Um corvo passou apressado por mim, mas deixou-me o seu gentil agouro inusitado. A noite me cedeu o seu manto para que eu contemple o tempo indecoroso ao meu dispor. E por razão nenhuma, senti imenso desejo de espalhar meu sangue pelas folhas secas do chão.
A sanidade lacônica perdurada por um fio preso no firmamento; por estas ruas infectadas eu caminho para conhecer um pouco do vazio. E ao meu redor as almas dançam suas próprias ladaínhas, ao passo que as árvores cantam os seus ruídos em louvor. Vou desfilando pelas esquinas com a minha fragilidade louca, nesta cidade roubada do cenário infernal. E perdidos nos meandros destas mentes esquecidas, estão os súplicos murmúrios pedindo para cessarmos.


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Um comentário:

  1. Aplaudo de pé, minha querida. Você está cada vez melhor, creia-me! Estou fascinada por este seu jogo de palavras, cada uma fortemente ligada à sua sucessora.
    Espero que autorize-me usar um pedaço desta sua composição para perfil, com todos os merecidos créditos ♥

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