O Causador Gentil

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Estive perdida dentro de mim mesma, sufocando com as palavras que não pude dizer. Não posso declarar o amor que sinto e, no entanto, não tenho mais controle algum do que faço.
Se fico um instante sem pensar, você despenca em meus devaneios. Eu tenho sérias convicções do seu feitiço, mas mesmo que eu saiba como lidar com esta insanidade, não posso deter meu coração.
Tão cruel sentí-lo do outro lado da cidade, saber que talvez por acaso podemos nos encontrar... e nada disto acontece. Dói saber que você está aqui perto, quando eu não posso ir ao seu encontro.
Meu único deleite ao ouvir sua voz nas noites escolhidas; amando-o em segredo até o fim. E essa agonia de não poder gritar... machuca no peito um amor reprimido.
Não poder estar ao seu lado comprova que pior que morrer é viver sem estímulo algum. Se não posso despejar o amor para você, o causador da minha insônia, como verei sentido nas coisas em que você não está?
Gostaria de mandá-lo embora de meus pensamentos, se pudesse... apagar você de dentro de mim. Mas você controla minhas ações. Estou perdida nas suas mãos.
Talvez; talvez uma hora meu coração não dispare mais, meus olhos deixem de enxergá-lo em outros rostos, o vento canse de trazer sua voz e sua presença nas noites sem amor.
Algo me diz que este fogo de sofrer logo terá fim. E nessa hora você, de vez, não irá querer saber de minha dor. Quando, por fim, você se cansar de me ser apenas gentil, irá sumir com o meu coração... levando-o no bloso sem nem mesmo saber.
E eu torço para que o dia negreje logo.  Estou caminhando para esquecê-lo, agora que a ilusão de estarmos juntos me abandonou. Vou dar o meu último suspiro e lhe dizer adeus.
Não tive o seu amor porque talvez o amei demais!


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Um comentário:

  1. Você sempre parece saber. E o Tempo sempre parece agir em sintonia para o que nós duas sentimos. O que você escreve é a outra metade de tudo o que penso; tudo o que sei. Ou que penso saber.

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