Holocausto Pessoal

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Essa sensação de caminhar pelo vazio, sem firmamento pra pisar, deu-me a prova de certas impurezas provenientes de mim mesma. Há tanto tempo achei que estava sã, e confiava em minhas próprias afirmações, que quando olhei para o meu outro eu, percebi que o real era desbotado, e que nem em mim poderia confiar.
Quando você crê fielmente na sua imagem construída, as outras faces são só vestes temporárias do seu diário tormento. E foi isto que descobri... que quem eu acreditava ser, não passava de um personagem criado pelo lado dominante.
Não foram somente as horas que gastei om a minha solidão, reponsáveis pelos muros que surgiram à minha volta. Mas  também as pequenas tragédias diárias que me levaram pela mão para o antissocial. Quando o coração se partiu no chão, não voltou a bater como deveria.
Foi fácil e frio perceber a distância esticando sua palidez pelos lugares que vivi. Como só eu estava trancada neste mar sôfrego de estranhas formas que me eram amigas, a vida vivida por mim era diferente da outra vivida pelo mundo. O ritmo mais lento ía sem pressa e se arrastava com dor, as flores murchas, cores invisíveis... entre quando paredes eu me escondia do sol. Deixeio coração cair por terra, e ele não voltou a bater como deveria.
Dentro do âmago as águas lamacentas sujavam o que restava de bom, e com os dias morrendo, eu pude melhor sentir as teias intricadas se formando. Não, não havia como eu me disfarçar de peça para entrar no terrível jogo social.  Desta vez eu própria joguei o coração, para que o partisse e ele não batesse como outrora foi...
Depois de vividas fases quase não existindo no dia-a-dia, aquele vazio de firmamento me disse adeus, e uma senhora de manto negro me pôs nas costas por corredores vazios. A senhora era gentil mas não tinha rosto, e funcionava como morfina no meu corpo enfermo. Foi esta senhora que esmagou por fim o meu coração, e as batidas não mais existiram.
Finalmente esta senhora decretou o fim de meus tormentos internos... a guerra contra mim mesma é chagada ao fim.


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Um comentário:

  1. Mais um conto. Um sonho não mais reprimido, saído para obscuridade para o que não consegue ser real ♥

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