Trágico Clichê

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Estou parada em meio aos corpos que se agitam com a música. Estou procurando enxergar o seu rosto no rosto dos outros. Por um momento o coração acelerou pensando que o tinha visto naquela multidão, mas era só mais um cabeludo para confundir meus olhos perdidos.
O ritmo é tentador, mas eu não consigo me entregar. Me sinto presa à sua tão real ausência. Eu estou sufocando aqui, por você não estar ao meu lado.
Estou vivendo por obrigação a cada dia em que me lembro do impasse. Dentro de mim ferve um vulcão clamando para explodir. Nada tem mais a graça de antes, tampouco a essência que me fazia sorrir.
A agonia me pergunta onde você está senão aqui; ela irrequieta a sobra da razão que eu ainda tenho. Procuro alívio em diversões e tarefas, mas o seu nome está sempre gritando dentro da mente. Lapsos de sua foto e de seu jeito de andar, me atigem com um mau cruel.
De repente nada mais neste show me agrada; eu vejo que a música não sooa agradável aos meus ouvidos. Os corpos que saculejam descontrolados me empurram e me jogam, enquanto eu tento abrir caminho por eles. No momento, meu único objetivo é achar a saída e fugir dali. E, enquanto corro por estas ruas soturnas, sua memória vem em meu encalço... atormentar.
Meus olhos cegos cheios d'água não puderam enxergar o que me vinha, o clarão torturante e eu fui jogada ao longe. Quando o escuro e o nada me abraçaram, de você não pude lembrar. A dor havia partido e eu agora sou um único sopro longe de você.


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