Quando o silêncio reina nas entranhas da noite,
Desespero corre fugindo pelos vales macabros.
O mundo se inclina nos ombros com açoite,
E Desespero com urgência deixa os medos guardados.
É uma criança que chora a morte do amor,
Com cálidos pés de viver à esquiva.
Caminha enxergando os males da dor,
De ver os corações esquecidos à deriva.
Seus gritos suplicam que alguém se importe,
Que ninguém ao menos de sua falta sinta.
Pois essa dor é tamanha, e forte,
Que ela suplicaria que alguém a minta.
Desespero anda sem rumo por tomar,
Buscando apego em desconhecidos.
Ela espera suas tristes histórias contar,
Para depois afunjentar-se em lugares escondidos.
Eu ainda consigo escutar os choros de mulheres que lamentam, velando o caixão. Pois o moribumdo
à todos conquistou em vida. Junto com os cântigos estão os urros de dor profunda, profanados como um pedido de que ele fique... mas ele se foi. E em meio à palavras de consolo, todos nós descobrimos que a hora chegada é real, e a morte veio com ela para buscar aquele que estava entre o nosso amor.
Partimos para a cova num desfile de tristeza. A saudade está abraçando à todos nós pois a sentimos em meio ao torpor. E vamos caminhando cabisbaixos, tentando entender a partida com a dor montada em nossos ombros.
Nós apenas gostaríamos de que seus olhos cerrados ganhassem vida e sorrissem para nós com o explendor daquele azul. Desejávamos apenas que aquelas mãos calejadas do trabalho duro, voltassem a se estender para um aperto de mão simpático e caloroso. Mas o corpo do nosso querido ente continua dormindo o sono eterno, e enquanto a terra revolvida volta a cobrir a cova agora preenchida, temos a completa certeza de que nesse sono permanecerá.


Descanse em paz meu querido avô. Estarás em meu coração.
Empale o amor numa mortal cruz que carregues,
E leva-a consigo pela eternidade funérea.

Mate todo o bem enraizado no ínfimo,
E ignore os resquícios de seu doloroso amor.
Mesmo que tudo esteja em decaída vagarosa,
Ao chegar do fim entregue-se ao vagar torpor.

Esqueça por inteiro esta dor que há no coração,
E desista de lutar por algo sem valor.
As recompensas são inexistentes,
E tudo é um arrastar infinito de lamúrias e mágoas em tenor.

Pude entender este dolor combate escondido dentro do peito,
E deixei de acreditar no paraíso de que me diziam.
Com o passar do tempo este grande feito,
Fez-me viver dias que me doíam.
                   
Eu decidi:
Congelei meu coração, pois não queria mais amar em vão!
Suprimi todo o amor, e me entreguei à dor.

Dany B atuou aqui. Obrigada (:
No tablado escuro com argúcia, as duas penetram no olhar de outrem, com infidáveis vinganças escondidas nos recônditos de seus corações. Por anos, cruzaram os confins de terras malditas em busca de resquícios para alimentar a profunda cólera que as levaram adiante.
Por fim, ao encontrarem-se, depois de tantos sopros inocentes de vida suprimirem, dançaram loucamente uma luta tempestuosa, onde todos os demais servos puderam observar do ínfimo, as verdadeiras faces de suas mestras.
A conflagração espalhando seu fogo que crepita com o flagelo de duas damas movidas e feitas para se matarem. Nos golpes de espada que riscam as peles, o sangue verteja negro e resvala como mancha eterna do duelo mortal.  A morte se tatua nos dois seres que lutam com urgência, e as duas deixam a sanidade escorrerem pelos dedos como líquido sem cor.
Naquele tablado, duas mortas se enfrentam para sair à frente do direito de governar o corpo. As duas almas opostas vivem impasses antagônicos no declínio do cérebro humano, e elas os disputam vorazmente como duas aves por uma mortalha. Nesta luta, as sombras participam da plateia e arranham  as cordas dos violinos com ardor e sofreguidão.
Este conflito se arrasta cravado como tortura naquela que ainda resiste com duas vozes dentro de sua mente. E as duas que estão lá, nos labirintos anatômicos da resistente, tornam o corpo um fragalho que caminha ao relento, desolado e aturdido... com anseio de gritar que isto é só uma contastação!
Correndo em câmera lenta nessa frustrante agonia muda, todos os meus planos explodem no vazio sem perdão. Intercalados estão os meus medos, escondidos e juntos com o escuro. Um ruído me lembrou que estou presa e que nada jamais poderá ser salvo. Inocência perdida!
Gritando sem voz nessas cavernas frias, o sol não mais conseguiu me achar. E pelo tempo que permaneço estática à espera de sinais, minhas últimas chances se esvaíram e eu não pude perceber. Inocência perdida!
E mesmo assim eu continuo correndo em câmaera lenta, sem chances, sem sol, sem absolutamente nada. Minha esperança grita, tentanto ainda lutar, e o trágico acontece me deixando perdida na escuridão... os medos me espreitam.
Quando um sorriso não contrastra com as lágrimas, eu não posso mais finjir ser a mesma. E não consigo esconder o quanto poderia estar bem se você estivesse próximo de mim... porque eu não vejo razões para ter de escolher entre duas coisas tão distintas. Aguardo com o coração vertejando dor, que a névoa se dissipe.

Stick e Lucas atuaram aqui. Obrigada amores.