PSIQUE

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No tablado escuro com argúcia, as duas penetram no olhar de outrem, com infidáveis vinganças escondidas nos recônditos de seus corações. Por anos, cruzaram os confins de terras malditas em busca de resquícios para alimentar a profunda cólera que as levaram adiante.
Por fim, ao encontrarem-se, depois de tantos sopros inocentes de vida suprimirem, dançaram loucamente uma luta tempestuosa, onde todos os demais servos puderam observar do ínfimo, as verdadeiras faces de suas mestras.
A conflagração espalhando seu fogo que crepita com o flagelo de duas damas movidas e feitas para se matarem. Nos golpes de espada que riscam as peles, o sangue verteja negro e resvala como mancha eterna do duelo mortal.  A morte se tatua nos dois seres que lutam com urgência, e as duas deixam a sanidade escorrerem pelos dedos como líquido sem cor.
Naquele tablado, duas mortas se enfrentam para sair à frente do direito de governar o corpo. As duas almas opostas vivem impasses antagônicos no declínio do cérebro humano, e elas os disputam vorazmente como duas aves por uma mortalha. Nesta luta, as sombras participam da plateia e arranham  as cordas dos violinos com ardor e sofreguidão.
Este conflito se arrasta cravado como tortura naquela que ainda resiste com duas vozes dentro de sua mente. E as duas que estão lá, nos labirintos anatômicos da resistente, tornam o corpo um fragalho que caminha ao relento, desolado e aturdido... com anseio de gritar que isto é só uma contastação!


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2 comentários:

  1. Magnífico, amor *O*
    Além de fazer uma narrativa incrível assim, você conseguiu encontrar uma figura que caiu mais que perfeitamente no texto. Em suma, divina! ♥_♥

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