Depois do desfecho trágico, resta o soar de alarmes falhos, avisando a desgraça dos infelizes. Sobre os escombros estão os corpos que vagam à procura de um sentindo, carregam cada um, sua cruz, e cabisbaixos caminham desolados pelos restos de uma vida que se foi perdida.
Seus olhos vazios, suas vozes escassas, cheios de sinas sem perdão os vagantes estão perdidos numa ilha de apocalipse. E enquanto rumam desesperançados, aproximam-se de um precipício irrevogável que os engolirá para todo o sempre.
Por todos os lados estão as provas de uma tristeza profunda e dominadora, que se alastra como praga, e se enrosca como raízes, em todos os corações que batem descompassados. O que ecoa pelas destruídas ruas e esquinas da cidade, são os choros de desespero e inocência, como única resposta à pressão tamanha da dor.
Na veia dos corpos desmotivados, corre negrura e moléstias; dentro d'alma incide um quadro nefasto de morte. Eis que nesta cidade só a dor perdura, e ela é a mandante do tempo que queima indiferente ao flagelo incontável.
Incontáveis são as dores espalhadas por tantas cidades; incontáveis são os sonhos destruídos de tantas vidas.
Consta que permaneço neste cárcere por mais tempo do que minha leiga ideia ousaria alcançar. Está consumada minha sina de ser a sempre insana amarrada e esquecida num quadrado impessoal, escondido em qualquer hospício sem vaga menção de qualquer existência.
As paredes sorriem como um covil plano e acolchoado, conspirando com argúcia para com claustrofobia sufocar meus gritos de apelo ao externo. O tempo se consome enquanto definho sem salvação, esta minha solidão reverberando aos quatros cantos de minha psique enferma.
Tamanho é o desatino desta vilania que me persegue, e eis que eu me prosto diante da madeira cruciforme suplicando ao deus vago de que nunca tive fé, que o meu tétrico coração possa enfim resvalar seu último suspiro.
Distar como morta num lugar onde com desprezo ocupo espaço, faz-me infimamente com alusão, achar um resquício de pena oferecido por alguém de que nada conheço.
Em suma, estou absorta com a convicção que achei num recanto; que me confirma que estarei encrustada e vitalícia nessa maldição branca vestida de cômodo. Sinto com desassombro que meus gritos não ecoarão por mais que eu persista e assim deseje. Sinto com urgência que estarei sem voz até que o tempo enfim, decida que é chegada a hora de que minha existência se suprima.

Dany deu a sugestão do título (;
Dois corpos se amam com violência em meio á bazófia explícita. Unem-se por meio de cultos obscuros através dos quais se despem de suas máscaras, e medos... que por eles perseguiam, agora entregues ao lânguido vazio.
De tal forma, com libido, os amantes expõem altruístas o ritual em que se tocam e compartilham de sangue. O roçar das peles trás todo o calor guarnecido nos corpos que transbordam desejo, e seus olhos fulgurantes penetram  no ínfimo dos pensamentos de outrem.
Este amor que brotou do mais terrível estorvo, agora desfila com império e desafio aos olhos de quem de esguelha o olha. E os dois amantes estampam com ardor na pele, a marca da sevalgeria em que se enlaçam... a união mordaz de suas bocas, num beijo à sangue, com os corpos ligados no casamento funesto.
Custa forças para a sofredora suprimir de sua mente todas as tortuosas lembranças. O sentimento impregnado em suas veias, corre pela vida dentro de seu corpo, queimando como prova do fragalho que está todo o seu coração.
Não basta somente ela decidir arrancá-lo de si mesma para continuar em frente com o oco no que antes havia amor; mas existir algo que com ela caminhe junto rumo ao precipício que a fará esquecer.
Todo o tempo estendido aos seus pés, como cobras que a prendem ao querer estar junto daquele que a despreza. E este tempo  que sufoca o seu grito e a arrasta para mais junto daquilo que ela gostaria de fugir, faz o simples continuar tornar-se para ela, toda a dor reunida num único peito que têm como alívio dois míseros olhos que transbordam o desejo de morte.