Inferno Branco

2 Comments
Consta que permaneço neste cárcere por mais tempo do que minha leiga ideia ousaria alcançar. Está consumada minha sina de ser a sempre insana amarrada e esquecida num quadrado impessoal, escondido em qualquer hospício sem vaga menção de qualquer existência.
As paredes sorriem como um covil plano e acolchoado, conspirando com argúcia para com claustrofobia sufocar meus gritos de apelo ao externo. O tempo se consome enquanto definho sem salvação, esta minha solidão reverberando aos quatros cantos de minha psique enferma.
Tamanho é o desatino desta vilania que me persegue, e eis que eu me prosto diante da madeira cruciforme suplicando ao deus vago de que nunca tive fé, que o meu tétrico coração possa enfim resvalar seu último suspiro.
Distar como morta num lugar onde com desprezo ocupo espaço, faz-me infimamente com alusão, achar um resquício de pena oferecido por alguém de que nada conheço.
Em suma, estou absorta com a convicção que achei num recanto; que me confirma que estarei encrustada e vitalícia nessa maldição branca vestida de cômodo. Sinto com desassombro que meus gritos não ecoarão por mais que eu persista e assim deseje. Sinto com urgência que estarei sem voz até que o tempo enfim, decida que é chegada a hora de que minha existência se suprima.

Dany deu a sugestão do título (;


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2 comentários:

  1. solidão = insanidade fato!

    como sempre escrevendo muito bem

    ainda vou ler um livro teu

    ti emo

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  2. Ainda vou ler um livro teu +1 ♥

    I can hear you in a whisper
    But you can't even hear me screaming.

    Where Will You Go, Evanescence

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