Rastros

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Olho pela estreita janela e vejo o fraco alvor do sol, pois sim, absorvo a certeza de que o sombrio dia que se arrastará será de incontáveis horas em que seu nome escapará de meus lábios.
Em meus ombros carrego a bagagem de pesares, e cabisbaixa caminho pelas ruas vendo meus passos atravessarem água. Pelos meus pensamentos você começa a surgir e já tão cedo meu controle se esvai, o que bastará para que qualquer rosto desconhecido que passe por mim se transmute em suas feições.
Aqui e ali observo algo de que você me faz lembrar, enquanto levanto o olhar para as negras e pesadas nuvens e murmuro preces agradecidas ao tempo por mandar a chuva para esconder minhas lágrimas.
Lá pelas tantas do meu sofrimento, o sol abre no céu com deboche numa esperança vã de espantar minha cúmplice sombria, no entanto eu continuo escura dentro de mim, e sei que logo mais quando ganhar as ruas novamente, é por você que procurarei.
Deveras, eu vivo em função da sua sombra e à tua procura. Mas bem sei que um dia seus rastros sumirão das ruas por onde passo, e talvez será em tal momento que eu me afogue por completo.


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Um comentário:

  1. Primeiro, não resisto e preciso comentar sobre isso: eu achei essa mesma foto que você em um daqueles sites que descobrimos. Tentei cortar e editar a foto, mas enfim. É fato que a minha não chegou nem aos pés da sua D:

    Segundo, como sempre estamos na mesma. O dia piora assim que eu percebo que acordei e tenho mais de 15 horas me separando da hora de voltar a dormir, é.

    E, terceiro, notei que o blog está com os gadgets reorganizados e tudo o mais... Adorei, ele está com aquele ar vazio - blasé - e mais sóbrio. Enfim. Acho que essa semana conseguimos nos falar, Diva! Saudades imensas ♥

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