1ª Carta

2 Comments
Morri mais uma vez, e quantas vezes fui acertada pelos mesmos punhais cruéis. Tantas lágrimas que secaram em meu rosto contam a história de meu coração quebrado, e desde que o rasgaram, ele bate cansado.
A velha raiva vem à tona, o mesmo ódio corre nas veias, e se  fortifica, e me queima a alma como o fogo do inferno gosta e costuma me possuir.
De meus olhos vertejam sangue e desespero, mas ninguém os enxerga em meu olhar. Meu corpo coleciona assassinatos, acumula dores, e todas as palavras estão guardadas como espinhos lá dentro.
Eu sou um poço de mágoas, e a velha memória amarra-se aos episódios mais sôfregos, e guarda os tantos rostos que me mataram, seus olhares e os seus ditos.
Minha criança morreu cedo, mas antes conheceu as primeiras tristezas  e me deixou de herança toda a revolta engasgada no peito.
Em alguns momentos eu fui conhecer o amor e a alegria, mas achei-os tão deslocados em mim, que acabei resolvendo refletir se eu os queria, e por pensar demais o precipício me alcançou primeiro, e mais uma vez eu morri.


You may also like

2 comentários:

  1. Você também faz muita falta, Diva. Fiquei on a tarde toda ontem, mas nada de você aparecer D:

    Grande texto, sempre ♥

    ResponderExcluir
  2. Me vi nessa postagem.
    Conheço bastante do ódio que nasce em nosso peito depois de tantos tormentos. A maneira como descontamos as coisas nos outros às vezes pode ser até cruel e no entanto, chamamos isso de amor. Mas daí surge a pergunta: esse ódio seria pelos outros ou por nós mesmos?

    ResponderExcluir