Perpétua

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És o rei mandante desta minha doce tristeza, que deveras, eu me deleito ao desfrutar. Vejo-te como a maré que invade as areias brancas, que como tais são afogadas pelo sal do mar revolto.
Tu és a navalha cega que me corta aos poucos, e fazes parte da terra que suga meu sangue derramado. Tenho-te no mais profundo grito que resguardo no coração, para ter sempre uma dor em pauta que eu possa sofrer.
Perpetua-te em minha dor como quem nada quer, e transforma-se em espada que desfere golpes débeis em meu coração. Aos poucos, num arrastado, transforma-se em agulhas que ferem-me, e pronuncias palavras que me são como espinhos eternos. Pior que todas as dores que tu faz-me sentir é o teu silêncio cruel; tua indiferença é o meu calvário.
Estão além o tempo e a vida, e tu segues com ela levando o destino adiante. Enquanto o tempo corre e as coisas passam, eu permaneço à teu dispor para ser retalhada pelo amor que tu não sentes por mim. Mais eterno que meu amor por ti, somente mesmo o meu sofrer.


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2 comentários:

  1. Acho que é em palavras como estas que você realmente expressa todo o seu magnífico potencial, sempre arrancando-me fascínio e muito orgulho. Esta sim é a minha Diva ♥

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  2. Ari, você conseguiu expressar grande parte daquilo que eu sinto com relação a alguém. É incrível como eu consigo me identificar com tudo! Seus textos são perfeitos. =D

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