Terminal

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Engulo pela última vez minha dose de você enquanto decido como tirá-lo de minhas entranhas. Decido que preciso de um pouco mais de morfina para seguir em frente, fingindo talvez que estou curada da praga.
Agora eu caminho pelas ruas afogada num  coma escuro, e não há ninguém mais aqui além de mim mesma, eu caminho sobre as calçadas vazias de esquinas caladas.
Essa doença que é você, já estupidamente me fez infértil. Eu já fui tétrica demais, e cansei de escrever sôfrega sobre você, e de ser sempre em vão.
Agora, a mazela se vai de meu sangue, meu coração voltou à bater  em seu compasso e minhas feridas se fecham.
A doença caminha e me encaminha para o fim, enquanto o vazio transborda, as cores se apagam e você se vai... deixando somente a cicatriz perpétua de seu desamor. Não sou mais enferma, mas garanto que um fiasco de sua praga permanecerá irreversível em mim.


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2 comentários:

  1. É impossível sairmos de um amor sem deixar que ele nos deixe marcas. Mas sabe, essas cicatrizes podem nos ser muito útil, pois trazem consigo as experiências e uma nova chance de acerto num futuro próximo ou distante. (:
    Eu já decidi que de nada mais vale ficar sofrendo, ainda mais calada - ainda que essa seja uma proposta tentadora de vez em quando -. Por que é muito melhor ser feliz do que amargurada. Nós devemos viver, querida. Muito mais do que simplesmente existir. <3

    * Adorei o novo layout. *-*

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  2. E a cicatriz não perturba, corrói e atormenta apenas por existir? E a lembrança da dor já não é o suficiente para ferir cada dia mais fundo? E o fim da doença, será que não é apenas mais uma mentira?
    (Desculpe o pessimismo, é mais o que eu diria para mim mesma. A Helena tem razão.)

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