Iminência

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Por tanto tempo sofri sem nada ter em troca, tanto desgastei-me ao ponto de crer que estaria infértil por toda minha eternidade, que agora, por algum motivo a dor se esvaio tão repentinamente que tão somente poucos rastros sobraram para realmente dizerem-me que vivi desalmada na sombra de um amor infeliz.
Uma parte de mim com você ficou, e esta, morta e sepultada, somente será um pesadelo. Mas não sei como explicar como foi fácil o vazio ocupar o seu lugar em meu mórbido coração.
Tão devastador você foi ao longo dos dias, infiltrando-se  e tornando-se minha doença, e tão friamente simples foi embora de mim deixando um vão. Ainda não consigo explicar a mim mesma como toda minha dor foi banalmente apagada como se nem a mim mesma tivesse servido.
Agora desfila à frente de mim, a iminência de que meu corpo terá um novo motivo pelo qual sofrer. Algo me diz que tudo está para repetir-se talvez dessa eu não sobreviva. A dor permanece comigo pelos mesmos motivos banais pelos quais ainda hei de matar-me.


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3 comentários:

  1. Incrível, ainda esses dias estava escrevendo sobre a certeza de que vai começar tudo outra vez...

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  2. muito lindo esse texto, pena que perdi meu talento para escrever textos e poemas...vou te seguir, ok?
    se quiser acesse meu blog de arte obscura, acho que vai gostar http://artegrotesca.blogspot.com

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  3. Ferido, sensível, tocante, um belo texto, gostei do espaço, estou seguindo!

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