Quis a vida que eu o odiasse, quis você mais ainda que isto fosse minha cruz. Pois aqui estou; agora vivo para odiá-lo... à você e ao resto do mundo dedico minhas forças vitais.
Desejo que crepites no fogaréu de uma dor que o faça revirar-se do avesso e desejar a morte mais que qualquer outra coisa. Uno minhas forças no pedido de que tenhas o sofrer tal qual segurar o céu sob os ombros, que sejas consumido pelo escárnio que pulsa em meu seio, e que minha vingança pulse em suas veias como ácido corroendo-o internamente.
Todos os demônios do mundo hão de possuí-lo e explodi-lo em centenas de fragalhos desprezíveis, aí então eu irei pisá-los e esmagá-los sob o peso de minha cólera. Estou a saborear este prato frio enquanto aguardo a hora certa, praguejando que você sufoque com sua própria mediocridade, que seja  usado como um verme e depois jogado fora como um objeto que é.
Todas as dores do mundo, e as desilusões, tudo que você e o resto fez questão de ensinar-me voltarão como um monstro desvairado e indomável, que te sangrará aos poucos, que o machucará gradativamente até que não reste mais nada além de sua rala lembrança em meu coração morto.
Somente apenas não leve-me a mal, não trata-se de nada pessoal, é que não é hora de perdoar, e sim de matar.
Eu, que por tentativas vãs, tento explicar a mim mesma quem sou quando não sou aquela que se esquece de viver, tenho fitado um reflexo deprimente no espelho, de uma que não conheço mas que me segrega absurdos da amarga vida que leva.
Os muros estão pintados de vazios, ali por onde dizem caminhar pessoas, lá onde festejam e vivem, em nenhum lugar existo porque nada sou além de um erro que o fracasso insiste em cometer.
Cada dia a mais vivido se transforma num entrinchado de nadas, repleto de ódio doentio que remete à minha dor de existir frustrada e não  ter vida, ao passo de que sou fraca demais para conseguir levar adiante qualquer um de meus planos suicidas.
No mais, agora sou aquela que parte antes mesmo da chegada, confundindo-se com os rabiscos do mundo e pertencendo à tudo aquilo que pela vida foi renegado, aquela que já não é.
Afinal, depois de algum tempo você ressurge em minha vida, te encontro por acaso nos lugares e lembro de ti em meus pensamentos; vem à tona todo o passado sofrido em teu nome.
Afinal, quando se acha que esqueceu-se daquilo que mais queria, a ironia te põe à prova e tudo aquilo reaparece tempestuosamente.
Afinal, eu hoje te ignoro com rancor pelo desafeto que me tinhas, mas o coração insiste em contradizer o orgulho e dispara com uma pancada... querendo reviver a dor.
No fim, eu hoje nada mais sinto ao vê-lo além de um profundo desalento, mas no ínfimo vazio eu só recordo das lágrimas que derramei por ti.
Acabado o drama, agora, estais morto e enterrado em meu coração, no mais, o amor platônico deu-se por findado.. o que não muda o fato de o destino rir-se de mim e contigo eu esbarrar por acaso, e somente isto eu não poderei mudar, o fato de ser tão doloroso eu sempre enxergar em outros o teu jeito de ser.