Consumida

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Eu tenho lapsos de gritos enquanto o ódio ferve e vai queimando nas veias. Somente desejaria que pudesse despedaçá-lo para pôr em você toda a dor que está explodindo em mim, a fim de explicar que o amo demais, e que por isso o odeio; especialmente o fato de existires e de isso ter inexplicavelmente total influência sobre mim.
Eu me parto ao meio, e você não me ama.
Quando cedo espaço ao vazio e escolho não escolher, a outra de mim que te ama por fim vence o orgulho e se importa como uma tola, e eu sou empurrada às pressas para o esquecimento... mas sou eu quem deve viver, eu que não quero amar, e não a outra que deseja sofrer.
Eu me parto ao meio, e você não me ama.
Eu queria matá-lo de mim, com minhas próprias mãos arrancá-lo de seu lugar, queimá-lo no fogo que hoje me queima. Eu queria machucá-lo até que você tivesse a capacidade de me matar ou de se matar de minha vida.
Estou sendo consumida pelas dores diante de seu trono, e eu te odeio por estar assistindo apático enquanto me corto nos espelhos tentando beijar teus reflexos.
Você me parte ao meio, e não me ama.
Minha loucura rasgando gritos de piedade, essa doença crescendo com raízes para me estrangular. Então eu me parto ao meio, e você não me ama.


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2 comentários:

  1. é vontade de querer matar mesmo!!maravilhoso texto!
    se quiser, passe no meu blog, está atualizado http://artegrotesca.blogspot.com
    bjos e boa semana!

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  2. Posso dizer que esse é um dos seus melhores? ♥

    Eu sei que meus comentários têm sido master sem graça - não negue! -, mas é acho que é porque eu penso tanto no que você diz, que me esqueço de como dizer alguma coisa de imediato. Já me vi tanto nessas palavras... você deve imaginar.

    ...e eu te odeio por estar assistindo apático enquanto me corto nos espelhos tentando beijar teus reflexos.

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