Perdoe-me por querer deixá-lo partir, deixá-o livre para iludir outro alguém, enquanto estou tentando esquecer que você não me pertence.
   Desculpe-me se já não sou capaz de jogar o seu jogo; fracassei em descobrir seus pensamentos, porque meu amor é doentio demais para nós dois.
   Eu devo continuar o amando, mas não poderei o ter, isso está me matando e o levando junto.
 
   Já não enxergo essa história com os mesmo olhos, estou tentando juntar meus pedaços para explicar. Desde você a vida já não é mais a mesma, eu já não me lembro como me sentia quando não estava com o coração partido.
   Quero ser preenchida pelo vazio, jogada ao vento sem amor, mas não sei como soltá-lo de mim pois você está em todos os lugares.
   Meus sentimentos continuam intactos, o coração perturbado, permanece mergulhado em aflição; espero a hora em que você vai escapar, estou vendo isso acontecer.

      Presa num amor por um alguém que tu nunca fostes, vivendo uma história qualquer que eu mesma criei. Estou amarrada por uma desilusão e o meu coração vai sangrando sem dono.
   
     Não sei qual de tuas faces estou a amar, mas sei que és tantos que no fim não és nenhum, porque no fim das contas tu não és nada do que planejei para mim, e não sei o que justamente disso faz-me te tanto amar.
    Alguém explique-me como posso amar e insistir no erro de viver com um alguém que não existe, como posso ser tão doente a ponto de não conseguir libertar-me desse monstro invisível, que não me toca, não me olha, mas vejo-o a me espiar nas ruas onde ando.
    Eu amo aquele que na verdade, não és, mas que gosto de imaginar existir, amo o que poderias ser se quiseres e não o que verdadeiramente és. Eu não te quero assim, na realidade, quero-te como te imagino em minhas ilusões, de um jeito que seja melhor para mim.
   
     A vida real é minha morte, que grita a verdade sobre ti, que me lembra e me traz de volta a tua face, enquanto eu só te tenho na ilusão.


    Caminhara desatento por vezes em que tinha vontade de fugir de seus próprios pensamentos, naqueles caminhos que achara necessário se perder.
    Com tendências e manias de devasso, foi ficando mais fácil, num passo a passo para cada ato, virara outro que já desconhecera.

    O caráter, uma lacuna, caminhara por precipícios beirando a loucura, sendo berço de todo um mal que infestara seu coração.
    Todo completo, de fúria repleto, destemera o amor. Porém não se salvara, e enquanto perecera no mal irremediável, por seus pecados pagara com o que me fizera sofrer.


   Antes que eu me dane, e parta para a loucura, que a noite me consuma até o meu adormecer, eu espero te sentir em cada esquina por onde eu andar, eu espero te tocar nesse vento noturno.
   Quando o fogo me queimar por inteira, e eu já for todo um regaço de dor, e de tão devassa que fui na noite tiver em mim tanto cansaço, eu espero poder encontrá-lo nos meus sonhos.
  
   Depois que a noite me morda e eu já estiver inebriada, com os sentidos já perdidos e tomados pelas ilusões, se eu já pertencer à escória destas ruas, que você seja meu salvador e seja capaz de fazer-me cerrar os olhos embalada pelo teu amor.
   Se for para me perder, que seja com você, e eu não temerei nenhum pesadelo. Que eu me corrompa nos teus erros e não sinta nada mais que prazer, porque eu quero estar em você numa noite como essa, e estar nesse adormecer.
   Há sempre o coração que rasteja, inocente quando nunca foi amado e se afoga nas águas negras do amor. Dessa pele nasce as cicatrizes, os cortes de amar por dois quando nunca houve um verdadeiro laço que se fizesse sentir.
   O pouco que se têm de vida, mas que tanto já sofreu por outros que não lhe tinham amor, e nenhum outro foi capaz de fazer valer a pena, logo, este coração nada mais é que um fracasso, mendigo, que esmola alguém que lhe ame.

   Por dentro, permanece intocado e transbordante, derramando amor, e deixando rastros, mas caminhando só com os olhos e a espera à procurarem por um salvador.
   Por fim e nele, chegando ao cair das máscaras, não houve nenhuma história que valesse a pena contar, porque nenhuma foi vivida. Não existiu quem fosse morada do coração, e ele continua gélico e adormecido, porque eu não fui capaz de ser um amor, não provei o gosto de ser um par e permaneço crua porque talvez eu não fui feita para ser amada.
  
    Em minha vida está lavrada uma sentença à qual não posso lutar, todos os meus dias - no passado, no agora e provavelmente nos que virão- estão repletos de uma maldição que assombra e persegue-me, porque eu fui escolhida para ser esquecida pelo mundo.
   O alcance de minha memória traz de certeza todos os males que já vivi, quando olho para trás não há muito de que eu possa me alegrar, e se todo o meu viver é manchado de agonia, nem auto-piedade me serve mais.
   O certo é que nem as coisas mais tristes do mundo são suficientes para abarcar minha dor. Nem mesmo elas me servem de consolo; não há nada dentro de mim que eu possa aliviar pois por dentro já não há mais vida.
   Porque simplesmente algumas pessoas não nasceram para serem felizes, não importa o que façam, não importam quanto tempo for; e a cada dia mais que vivo mas morro nesta vida, vou tendo a certeza de que sou prisioneira desta sentença.