Uma lástima obstinada que já não lhe cabe ao peito, tamanha mácula que lhe corrompe o coração. Aos céus roga por sua alma, mesmo que a fé já não mova esperança alguma, ainda que a dor seja maior que a ilusão.
   Um amor torpe e doentio, que tanto aprisiona no horrífico silêncio da submissão. Torna-se escravo de um frenesi, com a alma sôfrega e esfomeada por uma migalha de amor, provar o gosto da paixão.


    Espero que o céu caia, a chuva irá lavar minha dor, nesta noite, depois que eu chorar, darei meu último suspiro.
    Os trovões calam meu desespero, num clarão eu ei de me enxergar, mas inútil dormir que a dor não passa, a solidão está nas sombras que caminham por aqui.


Esta dor amiga aninhada em meu coração
O sufoco pelo qual tanto sou torturada
Todos os pesares que me trancam na escuridão
Permanecem vigilantes para que eu esteja aprisionada.

Nenhum sol, nenhuma luz capaz de reviver
Qualquer esperança que outrora existiu
O coração sombrio demais para renascer
Certo de que foi o desamor que o partiu.

Em cárcere, corro em câmera lenta
No desespero tentando em vão me salvar
Mesmo que doa, sua existência me alimenta
Os meus fantasmas me obrigam a te amar.

   A noite segue enquanto eu queimo de desejo por ti, o amor pulsa em mim como uma dor física, estou ardendo precisando romper a distância que nos cobre, estou febril precisando de um beijo seu.
   Sua imagem me toma e me revira pelo avesso numa agonia de amor, meu coração reprime o gritos de tanto te amar, sua falta me deixa escassa, enlouquecida, enquanto não posso tocá-lo.

   Eu começo a criar cenas contigo para suprir tua ausência, eu sinto essa dor na pele que se arrepia imaginando o teu toque na minha.
   O teu sorriso é para mim tão precioso, que me rasga o peito numa pontada de fascínio, a tua voz é como um cobertor que aquieta minha alma, o teu corpo me rouba a respiração.


   A distância que nos cobre embalda meu coração, como atracado num porto, permanece naufragado. Sinto o peso da dor, o frio da indiferença, os desencontros que me cortam em pedaços.
   Esse amor gélido faz-me sangrar, como se por dentro pelas rachaduras, escapasse toda a tormenta que me invade. O ar me escapa, enquanto sufoco sem voz com suas imagens apunhalando-me o corpo.
   Sinto-me berço de um enorme vazio, que revolto, me envolve como um veludo negro de silêncio. Meus olhos dopados, o enxergam em todo lugar, e se por eles olharem verão o teu reflexo.

   Meu sangue corre em minhas veias que gritam por um pouco de amor, minh'alma chora, gélida, perdida numa ilha de incertezas.
   Carrego meu corpo desiludida, sôfrega, como se fosse morada de uma geleira espessa e frágil. Meus nervos beiram o caos, minha dor se multiplica como cobras venenosas, me traem e corrompem sem salvador.
   Valha-me Deus, meu amor é doentio! Esmoreço nesse caos sofrendo de paixão. Estou desfigurando-me, decrépita, definhando solitária num precipício, e você tarda em me salvar.