Histeria

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   A distância que nos cobre embalda meu coração, como atracado num porto, permanece naufragado. Sinto o peso da dor, o frio da indiferença, os desencontros que me cortam em pedaços.
   Esse amor gélido faz-me sangrar, como se por dentro pelas rachaduras, escapasse toda a tormenta que me invade. O ar me escapa, enquanto sufoco sem voz com suas imagens apunhalando-me o corpo.
   Sinto-me berço de um enorme vazio, que revolto, me envolve como um veludo negro de silêncio. Meus olhos dopados, o enxergam em todo lugar, e se por eles olharem verão o teu reflexo.

   Meu sangue corre em minhas veias que gritam por um pouco de amor, minh'alma chora, gélida, perdida numa ilha de incertezas.
   Carrego meu corpo desiludida, sôfrega, como se fosse morada de uma geleira espessa e frágil. Meus nervos beiram o caos, minha dor se multiplica como cobras venenosas, me traem e corrompem sem salvador.
   Valha-me Deus, meu amor é doentio! Esmoreço nesse caos sofrendo de paixão. Estou desfigurando-me, decrépita, definhando solitária num precipício, e você tarda em me salvar.


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4 comentários:

  1. Adoro todos os seus textos!!!
    Parabens..
    Bjs

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  2. texto forte!!! principalmente o final!!me chamou bastante atenção!!
    Bom fim de semana!bjs

    http://artegrotesca.blogspot.com

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  3. muito bom...sempre bom...
    parabéns mais uma vez \o

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  4. Tão doentio e tão forte... agora, pergunte-se: o que aconteceria com toda essa dor se o seu sonho se realizasse? Se transformaria em uma nova forma de energia ou, tão intensa quanto a explosão de uma supernova, reduziria a cinzas tudo o que há dentro de você?

    Talvez eu esteja transferindo ao seu texto os meus próprios medos. De qualquer forma... ♥

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