Estes buracos que usurpam a felicidade violenta que outrora existia, preenchem o vazio onde antes florescia corações. O amor que se extinguiu num sopro de solidão, agora jaz sepultado na ilusão que se vivia.

   A vida torna-se restos propagados no esquecimento da eternidade, quando seu coração é quebrado e você perece na escuridão. Mas você está tão invisível, que lágrima alguma é capaz de contar-lhes sua infelicidade. Já não és coisa alguma além de um corpo repleto de sofreguidão.

   Você não sabe se pode aguentar até que não vê outra alternativa senão caçar forças em suas profundezas, então você permanece vivo por si mesmo enquanto segue sendo berço de algo que até o vazio desconhece.

É quando você é preenchido por algo que a solidão teme, seus olhos já não enxergam, sua alma descansa em sono, seu coração com preguiça, tenta pulsar. Entretanto, a vida segue correndo e escoa por onde seus olhos não o alcançam, ainda que você já não esteja mais aqui, e ninguém sinta sua falta.

   Ouça, já se pode ouvir os ecos que anunciam o fim, logo se poderá enxergar os fantasmas do passado.
   As dores estão postas em seus devidos corações, que se arrastam, enquanto o ponteiro marca a hora mais lenta.
   O amor agora apodrece dentro de um cadáver, porque os sonhos se tornaram pesadelos, porque foi dito que ninguém poderá se salvar.
   As trevas preenchem os confins da alma, porque já estava previsto que assim teria de ser para algumas vidas.
   Em breve, olhe em volta, tudo será completo, eu já terei partido e a vida continuará um show horrendo.