Adeus

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Estou escrevendo enquanto choro pela última vez
Estas serão minhas últimas lágrimas para você
Agora posso deixá-lo ir porque finalmente descobri
Que você nunca esteve comigo, nunca houve amor.

Dou-te adeus, você já tinha partido
Eu apenas fiquei presa ao tempo, presa
Num fantasma, dentre tantos escolhi ninguém
Você nunca esteve aqui, nunca houve amor.

Eu te entrego minhas últimas lágrimas
Pois agora preciso da tristeza para seguir
Você já está longe, eu não te alcanço
Mas me despeço, porque você não estará aqui.



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4 comentários:

  1. Dentre tudo o que já li de ti, tenho apenas a certeza de que este foi o mais triste... triste, realmente triste. No sentido mais puro, melancólico e todos os outros adjetivos que lembrem a música do vídeo em que se possa pensar. E o mesmo para ela própria... Sinto-me assim também, agora... Falta conexão entre as palavras, eu sei...

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  2. P.S.: oras, imagine que aquele desenho seria meu!... Quem me dera. Não é meu, rs.

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  3. Olá, Ariane, seja sempre bem vinda no meu blog. Seguinte, fica aqui uma cortesia, um sinal de boas-vindas: to te passando um dos poemas que estão postados lá, no próximo comentário, pode copiar e publicar na forma de um novo post, se quiser (e informe, por favor, o autor como

    "byClaudioCHS - Claudio Henrique da Silva"

    e após o texto especifique o link do blog como:

    "http://progcomdoisneuronios.blogspot.com"

    Ok? Valeu. E seja sempre bem vinda por lá. Bye.

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  4. Tratado sobre o suicídio
    Decididamente: eu não admiro os enforcados.
    Estar ali, pendurado
    instalação surreal
    arte macabra, inusitada
    lentos movimentos
    cronometrando o tempo
    emulando pêndulos
    que não estimulam o gênio
    de Galileus ou Galileis.
    Afora o trabalho que dá
    muitos elementos a considerar
    precisa-se de uma corda
    um banquinho bem alto
    uma viga para amarrar a corda.
    Massa corpórea
    vezes altura do banquinho
    vezes comprimento da corda
    vezes pressão atmosférica
    vezes força da gravidade
    vezes alinhamento de Marte com Saturno
    vezes cotação do dólar:
    haverá na física uma fórmula
    que possa livrar o suicida
    da tortura do último cálculo?
    Não, essa forma não me cabe
    imagino o desconforto
    não gosto que nada aperte-me o pescoço
    afrouxo a gravata nos dias ensolarados.
    Um tiro na cabeça é outra forma de despedir-se
    os neurônios remanescentes nem tem tempo de reagir
    mas... descarto...
    meu ouvido é sensível
    não quero levar para o além o cheiro da pólvora
    nem o eco do estampido
    do último tiro
    disparado próximo ao ouvido.
    Outros preferem saltar de edifícios
    executam evoluções aéreas até que mergulham em lagos de granito
    A turba está agitada,
    não é todo dia que se assiste um suicídio
    A área é isolada,
    alguém empunha uma faixa
    "Por favor, não pule !"
    Chegam a imprensa, os bombeiros, o celular com a voz de um amigo
    A multidão quase não pisca ou respira
    Oh, meu Deus! Tomara que não pule! Ele não pode pular!
    Mas lá no fundo, bem no fundo, torcem pelo pior,
    para que possam chegar em casa e anunciar em primeira mão:
    "Eu estava lá, eu vi, foi horrível ! ..."
    Eu gostaria de frustrar essa gente que não torce por nós
    que põe holofotes sobre nossas tragédias
    que assentam-se em arquibancadas
    e assistem nossa vida como se ela fosse um picadeiro de circo.
    Eu iria lá no fundo do prédio,
    onde ninguém estivesse olhando e,
    sem nenhum sinal ou aviso,
    pularia e diria bem baixinho: good bye.
    Mas ... não ... não faria isso...
    poderia cair sobre um passante, um transeunte.
    E... se jogar na frente de um carro?
    Não, também não, muito deselegante
    estragaria a lataria do carro alheio
    e não ficaria por aqui para pagar o conserto...
    há de considerar-se, ainda,
    que o atropelado não pode ser tocado
    até chegar a perícia
    torna-se um morto inconsequente
    ao causar um dos maiores suplícios das grandes metrópoles:
    tráfego - de - veículos - interrompido.
    Não concordo com isso ou aquilo
    A morte deve causar o mínimo de consequências possíveis
    para aqueles que não tem nada a ver com isso
    não pode atrapalhar o trânsito de veículos ou destinos.
    E... queimar-se?
    Sem chance, só se o cérebro morresse primeiro.
    lanço a polêmica: incinerar-se não é suicídio, é auto-punição
    o corpo arde enquanto o cérebro
    fica protegido, blindado,
    dentro da caixa craniana
    cada segundo é eterno
    e a mente consciente espera
    uma morte tão lenta que parece que nunca chega...
    Então... afogamento? Sufocamento? Tipo, morte por asfixia?
    Nem pensar, já tô ficando com falta de ar...
    Todas as formas são horríveis
    tudo causa angustia, dor, sofrimento...
    Ah... quem dera...
    morrer sem sofrer
    morrer sem sentir dor
    morrer uma morte suave
    morrer com beleza, com poesia...
    como estar assim,
    sentado sobre o piso de azulejos
    a água quente caindo do chuveiro
    uma névoa branca de vapor
    perfumada, por misturar-se ao cheiro
    de sabonetes e xampoos
    e um líquido vermelho, viscoso, jorrando
    do corte profundo no pulso
    diluindo-se na espuma branca
    e criando belos degrades
    que vão do vermelho sangue ao rosa-bebê
    esvaindo-se pelo ralo junto com a água, junto com a vida
    e essa dormência, e esse torpor, e essa tontura...
    e essa deliciosa... vontade... de dormir...


    byClaudioCHS - http://progcomdoisneuronios.blogspot.com

    .

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