Gritos

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   Ao longe algum piano reverbera notas fúnebres tal qual esta noite, a lua observa soberana a noite cantar sua canção lírica de solidão. De algumas janelas estendem-se os gemidos e o cheiro de sexo, enquanto que de outras a névoa envolta de tristeza conta que ali sofre alguém. Enquanto uns ardem de vida, outros esmorecem na terrível morte da esperança.
    Os corvos permanecem empoleirados nos galhos que gemem, e o vento desfila livre em assobios de desdém. As folhas estão vivas, uma delas roçou meu braço que num arrepio da pele, desejou novamente ser tocado.
    As almas cantam, eu ouço, as almas cantam e choram em ecos, em sussuros e soluços, o piano reverbera a dor, o violino rasga a noite gritando morbidez.
    A solidão se aproxima de meu corpo, me cobre com seu manto doce, eu choro por mim mesma enquanto nada lá fora muda. Eu calo em meu silêncio gritante, porque o mundo não pode me ouvir.



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