Quando se constrói um castelo de areia alto demais para enxergar o topo, é provável que quando ele caia a areia te sufoque.

     Não seja tão tola de achar que com você e desta vez será diferente, quando se trata de amor, ou você vive ou morre, mas não aposte todas as suas fichas neste jogo, pois quando ele acabar - e ele sempre acaba-, você não terá mais nada de si para se reconstruir, não restará mais nada de si mesma. Aí então é quando a Esperança morre, é nesse momento em que você percebe tarde demais que teu castelo perdeu os freios, e agora morta e com meio coração dentro do peito, você tenta juntar um punhado da terra que restou para preencher o vazio que agora lhe ocupa.

    Ei garota, não chore mais, agora as tuas lágrimas serão perdidas, elas não poderão colar os cacos dos teus sonhos quebrados. Então não chore, fuja! Corra bem rápido e de olhos fechados para o mundo escuro onde moro, faça como eu, aqui não terás mais nenhum grão de areia para te iludir, venha comigo que já estou morta, e você não terá mais que construir castelos que se desmontam.
 
    O quanto dói todos os dias, a cada palavra dita e às horas de silêncio, a dor vai me rasgando e esmagando minha alma. Enquanto você segue sem olhar para trás, eu me engasgo com minha própria solidão e morro afogada em minhas lágrimas. Estou definhando por fora, sinto meu corpo pedir para morrer, sinto meu coração agoniado, querer parar, sinto fome de um sorriso.
    Você prometeu amor, prometeu estar comigo, e por mais que eu te ame e morra por ti, mais você quer ficar longe de mim. Eu não preencho a tua vida, eu não me encaixo na tua história, as suas horas e vontades não se tratam de mim.

    Eu não sou o teu plano, eu não sou aquilo que você quer, porém você não me diz, mas me faz sentir todos os dias. O nosso amor venceu o prazo de validade, eu apodreci e já não te sirvo mais.
    Fique livre passarinho, voe alto e para longe de mim! O seu espírito não é de alguém que ame, você deseja levantar voo e sempre deixar uma sofredora para trás. Voe passarinho, se para ti o amor é uma prisão!

    Quando você levantar voo e me der por fim adeus, eu me enterrarei junto ao amor, e então não sentirei mais esse sentimento gélido me partir aos pedaços. Quando nosso amor finalmente morrer, tua gaiola estará aberta para ir embora, e eu embaixo da terra vou abraçar a morte e me deixar ir também.
    


Talvez um dia eu volte.

 
   Antes que a última gota de sangue caia por terra, e o homem que luta para honrar seu nome esmoreça, tu, homem de pouca fé e coragem, toma para ti o coração da donzela magoada, e faz teu nome puro para o legado de teus descentes, talvez ainda haja tempo de venceres nesta guerra.
   O suor e o sangue que escorrem pela ferida do corpo dos guerreiros, choram a dor da carne que braveja por misericórdia mas que não desiste até que o coração de todos os homens parem de bater; deverias tu, ir à luta por uma causa nobre.

   Porém, tu és o traidor que sujou a memória daqueles que em ti confiavam, tu és o ímpio com o coração negro de um orgulho maldito que te corrói a humanidade. Enquanto uns lutam pela glória e pela paz, em busca de repouso no regaço do amor e calmaria, tu feristes o coração daquela que estava disposta a luta junto de ti, fostes o braço a cravar a espada num peito frágil e apaixonado.
   Agora contemple o inferno, esmoreça e apodreça na solidão que te abraçará, outros virão com feitos maiores e virarão lenda, entrarão para a história porque deles é a imortalidade dos deuses- porque suas almas são justas e sua bravura não corrompeu os seus corações nos campos de batalha-. Enquanto que sua existência pode ser enterrada, pois o mundo não precisa de mais covardes.
 
   Corre pelos vales escuros cortando o vento e mordendo a noite, enfrentando os demônios das sombras com a bravura e coragem de um sobrevivente. No pântano das lágrimas, ele repousa no regaço da solidão, de um cavaleiro com o coração de pedra de um homem que um dia já amou.

  Na busca incessante pelo segredo guarnecido no Coração de Dragão, ele corre em seu cavalo no meio de raio, corisco e trovão. Destemido da morte ele enfrenta homens e monstros com sua espada, como um bárbaro em busca de vingança.

   O guerreiro é o rei, com a força e sabedoria enfrentando o mundo, passando por males e sangrando valentia de cada cicatriz. Lutando por dias de glória o soldado briga por uma vida que valha à pena em tempos difíceis, com um escudo no peito ao invés do coração...
 
   Diante dos olhos meus a vida passa apressada, enquanto vejo os dias darem adeus, perco o meu tempo com a solidão. Estou presa no vagar das horas, queimando por dentro com o vazio que esparsa. Parada num terminal, à espera de alguma salvação ...

   Meu destino é viver em morte, seguindo lânguida por campos que perecem,  pois o amor é uma batalha perdida. Eu não lutei porém fui vencida, e agora esmoreço, ferida, nessa dor. Meu tempo se esgota enquanto os ventos não mudam, os dias são fantasmas que correm em meu assombro. Enquanto a vida se pinta de cinza, enquanto o coração pulsa vagaroso em tristeza, eu me desespero cansada de esperar.

   
   Eu fecho meus olhos, desejando que por toda eternidade eles cerrados permaneçam. A fúria que adormece em mim, se prepara para o seu despertar.
   Noites que mordem me acariciam de um fulgor maldito, até que meus olhos escureçam. A dor é longa e doce, eu me lambuzo de meu sangrar.
   Meu corpo se contorce e treme, eu vou te amando e teu fogo me queimando. As veias vão gritando e faiscando, teu nome à implorar.

   O amor vai entrando em coma, enquanto a morte de minha paz vai se aproximando. A liberdade é um dia que nunca chega, pois os sonhos não me servem ao consolar.
   Eu abro meus olhos, desejando que tua criação não existisse. A fúria outrora adormecida- agora desperta- à caça de me torturar.
  Rogando aos céus, eu disfarço meu amor desejando que tua lembrança partisse. Em vão eu desvaneço, vencida  pela sina de morrer de te amar.