Diante dos olhos meus a vida passa apressada, enquanto vejo os dias darem adeus, perco o meu tempo com a solidão. Estou presa no vagar das horas, queimando por dentro com o vazio que esparsa. Parada num terminal, à espera de alguma salvação ...

   Meu destino é viver em morte, seguindo lânguida por campos que perecem,  pois o amor é uma batalha perdida. Eu não lutei porém fui vencida, e agora esmoreço, ferida, nessa dor. Meu tempo se esgota enquanto os ventos não mudam, os dias são fantasmas que correm em meu assombro. Enquanto a vida se pinta de cinza, enquanto o coração pulsa vagaroso em tristeza, eu me desespero cansada de esperar.

   
   Eu fecho meus olhos, desejando que por toda eternidade eles cerrados permaneçam. A fúria que adormece em mim, se prepara para o seu despertar.
   Noites que mordem me acariciam de um fulgor maldito, até que meus olhos escureçam. A dor é longa e doce, eu me lambuzo de meu sangrar.
   Meu corpo se contorce e treme, eu vou te amando e teu fogo me queimando. As veias vão gritando e faiscando, teu nome à implorar.

   O amor vai entrando em coma, enquanto a morte de minha paz vai se aproximando. A liberdade é um dia que nunca chega, pois os sonhos não me servem ao consolar.
   Eu abro meus olhos, desejando que tua criação não existisse. A fúria outrora adormecida- agora desperta- à caça de me torturar.
  Rogando aos céus, eu disfarço meu amor desejando que tua lembrança partisse. Em vão eu desvaneço, vencida  pela sina de morrer de te amar.