Corvose

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      Tanto tempo que não venho aqui te falar de minha dor, pois todo esse tempo estive perdida dentro de tanto nada, dentro daquilo que me impedia de pronunciar uma única palavra, daquilo que me aprisionou. 
      Se você pudesse me ler como livro, veria a história que têm sido desde que se foi, se pudesse me enxergar como memória, enxergaria o cinza no qual me transformei. E se por ventura o vento te levasse notícias minhas, anunciaria o meu luto, gritaria minha raiva, e sussurraria meu amor. 
      Veja, nada mudou, você ainda é o meu amor. Veja que tu ainda és o motivo da minha dor. O sorriso é falso, a entrega não é por inteira, a solidão é amiga e o colorido não têm cor. Amor, veja bem, você partiu mas você ficou. Você se foi mas deixou. Disse tchau mas nenhum adeus, foi quando para ti começou e para mim terminou...
      Terminou o mês, o ano, a Era, terminou o que eu era naquela semana que você me deixou. Quando a lágrima verteu, quando o silêncio queimou, eu te chamava amor, mas o meu socorro você ignorou, meu bem, acho que talvez tu deixou de me amar.
      Amor você foi e levou tudo de mim, foi embora comigo e me deixou. Quebrou o vidro e deixou os cacos, me escreveu e jogou as folhas fora. Você me apagou.
      E o mundo desligou as luzes, os céus abriram as portas da chuva que lavou e levou os borrões de sorrisos que tento arrancar. E o mundo saiu de ar, e eu de sintonia, sem ar, quando você amor, não me deixou sonhar.
     Querido, você tem sido minha pele que arde sem sossego, você tem sido a lágrima que insiste em cair, têm sido o fantasma que me assombra, o carro que me atropela, a bebida que me embriaga, a cruz cravada, a morte, o fim. 
     Tu és a vida depois que se morre em vida, aquele caminho que se segue sem escolha, o dia que se acorda por ter que levantar. És o amor que não me deixa amar, e de janeiro a janeiro eu te amarei até o mundo acabar. 




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