Morada

11 Comments

    
     Fria.
    Assim como a chuva grossa que desaba lá fora,  assim como meus pés, mãos e lábios, como o vento de desolação e abandono que percorre a espinha do meu corpo. Assim me disse os sussurros do vento noturno, -daquela noite em que, enfadonha, andei o mais rápido que pude na tentativa falha de afugentar os medos meus- que assim eu deveria ser.
    Falha.
    Inútil tem sido correr dos medos pois eles se findaram em mim, e eu assim me tornei o próprio medo. Sou morada do desassossego, sou morada de uma solidão esmagadora. É um fardo pesado segurar meu calculismo, mas as mágoas e rancores são combustíveis fortes para essa árdua defensiva. Sou morada da dúvida, e mantenho guarnecidos os sentimentos para guarnecer o pouco do resto desse coração que sobrou.
   Gélido.
    Assim se fez o porto em que estou ancorada, a casa que ninguém deseja morar, o coração apodrecido que à ninguém deseja pertencer. É como um corpo sem vida vestido para viver, e de vivo e quente que restou em mim, somente meu sangue amargo que faço escorrer... Para a morada esquecida onde antes morava alguém chamado Amor.



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11 comentários:

  1. Estou te devendo um comentário. O primeiro.
    Ahn... Ah, não existem palavras para definir o que você escreve. Ficou... bonzinho, rs

    Continue com o legado "d'As Três d'O Corvo", já que a Lu se acha cada vez pior e a Carol parece ter desistido - como eu.
    Este blog... isto aqui tudo está... divino.

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  2. Vim dar retorno a visita, sou escritora do Sombra das Estações... nem sei como me achou, não sou muito popular. Enfim, obrigada pela visita, a gente faz o que pode. E não tenho nada disso como uma dádiva, mas sim como uma necessidade compulsiva de criar, para espantar os fantasmas. Como Bukowski diria: Essas palavras que escrevo me protegem da completa loucura.
    Acho que funciona assim pra ti Tbm, a gente vê alma nos teus textos, vida, angústia (pelo menos nesse), está de parabéns!

    Obrigada pela visita lá, valeu a pena vir por aqui, :)

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  3. Belo texto.. descreveste muito bem como é sentir esta terrível sensação que por vezes nos assombra, de medo, angústia, desolação... de fato é assim que nos sentimos sem o Amor: vazios..!
    Parabéns pela postagem.

    Um Abraço

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  4. Realmente encontro aqui algo de sublime e de forte conteúdo emocional, que toca a alma e me faz refletir.
    É profundo como uma sepultura, perfumado como o lírio, delicado como a rosa.
    Parabéns, portanto, por esta linda obra.
    Um abraço.

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  5. Só uma palavra: ual. Tudo bem, mais algumas palavras... O texto ficou incrível, de um jeito intenso e misterioso que prende a atenção de qualquer leitor que, assim como eu, admira a poesia das palavras e quem sabe lidar com elas! Parabéns.

    Beijos ♥ Jeito Único

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  6. Gostei muito deste seu espaço.Os textos são profundos e intrigantes, parabéns minha querida e um grande beijo.

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  7. Nesse instante, estou diante da tela do computador, te aplaudindo de pé. Parabéns pela beleza de blog, pela clareza e por tornar esse espaço tão agradável a qualquer pessoa que possa vir aqui te prestigiar. As vezes me parece que o amor, é a salvação para todo tipo de medo, angustias, essas sombras do mal, que vira e mexe nos persegue.

    Te convido a visitar meu humilde blog de poesias. Não é tão sofisticado qto o seu, mas é digamos assim, "bunitim". rs

    Abraços, fique na paz!
    http://gagopoetico.blogspot.com.br/

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  8. Olá!

    excelente texto, aprecio muito esse tipo de escrita, e a temática misteriosa.

    O conforto deve estar na certeza de que a casa pode estar gélida e desabitada hoje, mas a morada do coração jamais fica sem hóspedes por muito tempo. Que venha o próximo morador!

    beijos ;*

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  9. Quem é que não se sentiu já assim, pelo menos uma vez na vida?...
    Um texto muito belo!

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