Tudo de Nada

7 Comments

    A dor no peito eu não reconheço,
    Esse vazio estranho de lembranças.
    As lágrimas estão ardendo como chamas,
    Encharcada na raiva, eu desvaneço.

    Incapaz de gritar, eu sufoco,
    Não luto, mas vou aceitando,
    E quando lembro, eu morro,
    Por mim mesma, estou chorando.

    Aquele banco, praça, canção.
    Aquele tudo de nada, solidão.
    O dia começa se arrasta e finda,
    E a alma, errada, desafina.

    O meu passado tornou-se presente,
    Minha loucura em razão.
    E o coração tão cansado, doente,
    Vira poço amargo de solidão.


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7 comentários:

  1. Ola! Uma conterrânea! Da terra de Manuel Bandeira. O cara era meio gótico, dizia:

    DESENCANTO

    Eu faço versos como quem chora
    De desalento... de desencanto...
    Fecha o meu livro, se por agora
    Não tens motivo nenhum de pranto.

    Meu verso é sangue. Volúpia ardente...
    Tristeza esparsa... remorso vão...
    Dói-me nas veias. Amargo e quente,
    Cai, gota a gota, do coração.

    E nestes versos de angústia rouca,
    Assim dos lábios a vida corre,
    Deixando um acre sabor na boca.

    - Eu faço versos como quem morre.

    Manuel Bandeira

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  2. Imenso prazer conhecer-te bela milady, e grato por ter tuas visitas em meus aposentos!! Enviei o pedido para ser também teu seguidor, convido-te a dar um curtir na pagina do GE no facebook: www.facebook.com/goticuseternus

    Nos encontramos por lá ...
    bjo doce em teu coração mademoiselle, e um até breve

    Att: Tiago Dotto
    adm: blog goticus eternus

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  3. Poema pesado porém belo!
    Que o peso consiga se soltar da sua alma e que você liberte-se de todo esse sofrimento!

    Grande beijo iluminado.

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  4. Que belo! Gostei muito do seu modo de escrever!

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  5. Belíssimo poema!..
    gostei muito de seu blog, estarei acompanhando as postagens.

    Um Abraço

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  6. Um poço amargo de solidão,
    uma alma que desafina,
    e um pouco de poesia.

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  7. "Incapaz de gritar, eu sufoco,
    Não luto, mas vou aceitando,
    E quando lembro, eu morro,
    Por mim mesma, estou chorando"

    Mas tem vezes em nossa vida, que devemos deixar de lado a submissão e começar a gritar, como esses ultimos protestos que o Brasil presenciou. No mais, a sua poesia é linda. Palavras, intensas!

    Um abraço (ou melhor, 2,3,4 ...)

    Dan
    http://gagopoetico.blogspot.com.br/

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