A dor não vai fechar estes cortes, nem as lágrimas com gosto de morte vão resolver. É de longe a pior fase de uma vida que se pode viver. Tanto abandono risonho e zombeteiro, tanta solidão soberana, e a tristeza e a raiva de mãos dadas a percorrer...
    O ódio confunde a razão, e a mentira cega o amor. O corpo vai cansando de estar cansado, os olhos desejando não chorar quando se fecham no escuro, e a boca citando prece que não dá jeito no desassossego do coração. A alma que tanto dói não querendo doer.
    Se está só é angústia, se está junto é agonia, é guerra tremendo dentro da alma, é corpo crepitando e queimando no fogaréu dessa anarquia. Essas feridas são cortes abertos que se magoam com água, e essas dores são flores que o tempo apodrece.
    Os sentimentos sem governo viram medo, ficam feios, viram monstros com fome de gente feliz. O mal têm cor escura e cheira à mofo, lembra que você vai estar sozinho no final, naquela hora em que menos mereceres e mais precisares, é quando estarás por conta própria com teus próprios monstros.