Querido, me queira de verdade. Queira mais que meu corpo e minha vaidade. Me tenha como seu amor e me traga de novo à vida. Querido, não quebre meu coração, não machuque de novo o peito. Me ame sem fingir. Eu sei que você ainda pensa nela, porque eu ainda amo meu ex-amor. Mas agora temos um ao outro, então mergulhe-se em mim.
    Tem doído mais somente quando contemplo seus olhos distantes e pensativos, como outrora os dele também foram. Talvez eu não seja mesmo boa o suficiente para nenhum.
   Então agora vamos até o fim, antes que nossos fantasmas nos destruam. Eu  te quero junto à mim no horizonte, me dê tua mão, me deixa ser tua, pois já não caibo mais em ninguém. Me deixa caber em ti. Me deixa ficar sem planos e sem preço.
    Baby, eu gosto do que temos. Me faz esquecer, me embriaga nos teus beijos, me faz o torpor, a dor de seguir adiante com outro alguém. Nós dois sabemos como isso termina, nós sabemos que somos passageiros, eu sei que não sou ela, você sabe que não é o meu.
    Mas garoto, eu só te peço que fique o tempo que puder ficar. Que me dê noites felizes antes que  parta de uma vez. Eu sou estilhaços de vidro, então me quebre um pouco mais. Esse peito rasgado não vai se incomodar de sangrar mais um pouco. Mas querido, eu só te peço que fique agora...
    Me dê um pouco de seu amor enquanto em troca eu passo seu tempo. Seja meu placebo, seja até onde eu puder suportar. Ele está voltando para me ferir, a vida está me empurrando de volta, mas se você estiver agora, seus braços tornem o escuro mais claro.
    E até o fim do verão quem sabe você possa ficar de vez em mim.


Há certas coisas – como uma aranha, seres bestiais,
O imposto de renda, um guarda-chuva para armar –
Que eu odeio, no entanto o que odeio demais
É uma coisa que eles chamam de Mar.

Ponha um pouco de água salgada nos umbrais.
Tenho certeza que uma coisa feia irá ficar.
E se estender-se em um quilômetro ou mais,
ISSO é muito parecido com o Mar.

Bata em um cão pra vê se corre.
Cruel! Mas tudo bem para farrear
Suponha que ele fez isso sempre,
ISSO seria como o Mar.

Eu tive uma visão de enfermeiras.
Dezenas de milhares por mim a passar
Todas conduzindo crianças com espada de madeiras,
E isso foi pelo Mar.

Quem inventou essas espadas de madeira?
Quem foi que as cortou da árvore a brotar?
Ninguém, acho, mas um idiota podera
Ou aquele que amava o Mar.

É agradável e sonhador, sem dúvida, flutuar
Com almas livres e ‘pensamentos sem limitar’
Mas, suponhamos que esteja muito mal na barca,
Como você gostaria do Mar?

Tem um inseto que as pessoas evitam
(Quando ele não para de voar[²]).
Onde você estava com essa irritação?
Em alojamentos pelo Mar.

Se você gosta de seu café com sedimento[³],
Uma dica decidida de sal em seu chá,
E um gosto de peixe no seu alimento.
Então, você precisa escolher o Mar.

E se para beber e comer essas iguarias,
Você não prefere um pouco de árvore ou grama,
E se prefere mil vezes fantasias,
Então, eu recomendo o Mar.




[¹] No original, Carroll diz que o mar (sea) é dirge. Essa palavra, traduzida de forma literal é ‘endecha’, que significa ‘uma poesia fúnebre ou melancólica composta por quatro versos’, ou seja, a aversão pelo poeta ao mar é tão forte que ele utiliza até a palavra dirge como adjetivo para demonstrar isso.

[²] Carroll escreve que o animal é derivado do verbo “fugir” (flee). Ou seja, Carrol está se referindo a uma mosca (fly).
[³] No original, sand (areia).


Tenho amigos que moram perto do litoral.
Amigos agradáveis ​​que gosto de amar!
Quando estou com eles, fico sem igual.
E me pergunto, se alguém gosta do Mar.

Eles me dão um passeio: embora um fiasco,
Eu concordo loucamente em escalar;
E, depois de quase um tombo do penhasco,
Eles gentilmente sugerem o Mar.

Tento agarrar às rochas e acho legal
Que eles achem graça com um excesso de alegria,
Assim que eu escorrego em cada piscina
Que contorna o gélido, gélido Mar.
 
Poema de Lewis Carroll publicado originalmente em 
Phantasmagoria and Other Poems
pela McMillan & Co em 1869
Tradução de Mauricio Oliveira Coelho Marques