Um Lamentoso Mar

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Há certas coisas – como uma aranha, seres bestiais,
O imposto de renda, um guarda-chuva para armar –
Que eu odeio, no entanto o que odeio demais
É uma coisa que eles chamam de Mar.

Ponha um pouco de água salgada nos umbrais.
Tenho certeza que uma coisa feia irá ficar.
E se estender-se em um quilômetro ou mais,
ISSO é muito parecido com o Mar.

Bata em um cão pra vê se corre.
Cruel! Mas tudo bem para farrear
Suponha que ele fez isso sempre,
ISSO seria como o Mar.

Eu tive uma visão de enfermeiras.
Dezenas de milhares por mim a passar
Todas conduzindo crianças com espada de madeiras,
E isso foi pelo Mar.

Quem inventou essas espadas de madeira?
Quem foi que as cortou da árvore a brotar?
Ninguém, acho, mas um idiota podera
Ou aquele que amava o Mar.

É agradável e sonhador, sem dúvida, flutuar
Com almas livres e ‘pensamentos sem limitar’
Mas, suponhamos que esteja muito mal na barca,
Como você gostaria do Mar?

Tem um inseto que as pessoas evitam
(Quando ele não para de voar[²]).
Onde você estava com essa irritação?
Em alojamentos pelo Mar.

Se você gosta de seu café com sedimento[³],
Uma dica decidida de sal em seu chá,
E um gosto de peixe no seu alimento.
Então, você precisa escolher o Mar.

E se para beber e comer essas iguarias,
Você não prefere um pouco de árvore ou grama,
E se prefere mil vezes fantasias,
Então, eu recomendo o Mar.




[¹] No original, Carroll diz que o mar (sea) é dirge. Essa palavra, traduzida de forma literal é ‘endecha’, que significa ‘uma poesia fúnebre ou melancólica composta por quatro versos’, ou seja, a aversão pelo poeta ao mar é tão forte que ele utiliza até a palavra dirge como adjetivo para demonstrar isso.

[²] Carroll escreve que o animal é derivado do verbo “fugir” (flee). Ou seja, Carrol está se referindo a uma mosca (fly).
[³] No original, sand (areia).


Tenho amigos que moram perto do litoral.
Amigos agradáveis ​​que gosto de amar!
Quando estou com eles, fico sem igual.
E me pergunto, se alguém gosta do Mar.

Eles me dão um passeio: embora um fiasco,
Eu concordo loucamente em escalar;
E, depois de quase um tombo do penhasco,
Eles gentilmente sugerem o Mar.

Tento agarrar às rochas e acho legal
Que eles achem graça com um excesso de alegria,
Assim que eu escorrego em cada piscina
Que contorna o gélido, gélido Mar.
 
Poema de Lewis Carroll publicado originalmente em 
Phantasmagoria and Other Poems
pela McMillan & Co em 1869
Tradução de Mauricio Oliveira Coelho Marques




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