Eu escrevo poesia triste num frenesi danado chamado tentativa, na agonia do riscar da folha tirar um pouco os riscos que a vida tem feito em mim. Porque os rabiscos são os ouvidos que suportam meus gritos e são as mãos que ainda conseguem me tocar.
    Eu sufoco para riscar, eu risco para sufocar. Eu escrevo para não morrer, tenho escrito para viver. O que resta de coragem na alma, -quando borro a página-, são as lágrimas que não pude conter e desaguam como uma chuva triste, e como a água, a tinta borra o papel e a maquiagem manchada.
    Não são as paredes do quarto que me protegem da gélida vida lá fora, mas sim as linhas deste caderno que me amarram os pulsos me mantendo em pé. É no branco das folhas que procuro a paz, é no azul das linhas que vislumbro o horizonte.
   O meu grito permanece silente, mas os meus poemas estão aos berros, minha poesia é triste e crua, mas é minha, e é assim que sou. Se você me ler como livro, verá que algumas páginas estão rasgadas, mas que a tinta sussurra vida, que implora viver.