Quarto Trancado

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      Eu tenho contido minha ira segurando as palavras que gostaria de proferir, tenho contido as lágrimas que gostariam de rolar de meus olhos, eu tenho contido a veemente dor no peito e a terrível nostalgia, eu tenho me contido mas me segurar é uma dor segura de se conter.
      É uma trabalhosa tarefa fingir uma alegria inexistente, fingir ser mais um quando não se é nenhum em meio ao todo. A solidão que se manifesta quando se está cercada,  e empoleirada em meus ombros, gargalha do meu teatro social.
    
    Porque o tempo passa se arrastando e traz a verdade  em seu encalço, e atrás dela o desalento que vou sentir ao descobrir que tudo isso é uma igual ilusão. É como se a vida me quebrasse as pernas numa areia movediça enquanto eu assisto todos se moverem em diferentes direções. É como se presa à arames farpados, eu lutasse e aumentasse as feridas, como se o tempo-espaço estivessem dobrados ao meio e eu presa num poço de piche.
    Talvez eu esteja aprisionada no limbo e não consigo me desvincilhar dessa consciência terrível que é o viver. Talvez eu esteja num quarto trancado e nem eu nem ninguém mais possua as chaves para abrir.




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Um comentário:

  1. Consegui me identificar em suas palavras, tenho me sentindo assim...
    Há tempo não lia o seu blogue e nem postar nada no meu postei, hoje abrir sua página e mais uma vez encontrei um texto incrível, que apesar de tétrico tem sua sabedoria.
    Beijos querida Ariane.

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