Eu precisei atingir aquele nível decadente de sofrimento que se vive quando se ama, para então voltar aos tempos antigos de quando eu me guiava cega pela vida. Finalmente chegou, aquele tempo de escuridão esteve à espreita para me puxar pelo braço quando meu sorriso bobo vacilasse. E finalmente me puxou.
       Como se eu fosse espectadora do meu próprio filme de uma história que se repete, e repete, repete. Talvez o sol só apareça para a chuva molhar depois, e os sorrisos alegres para depois apagarem-se com a dor.
       Tenho a alma vagabunda de um velho de bar, meu coração deve se afogar em whiskey, e o cigarro que nem fumo se apagar levando um pouco da minha própria vida. Talvez o destino seja blues, noite e poesia, seja contemplar a vida passar e não poder tocar, como memórias.
     Já vai raiar o sol, mas só para chover depois, chover dentro das expectativas, molhar o que cuidei para ser bonito. Amanhã pode doer menos, mas só para piorar depois e ficar nessa vida de eterno retorno provando do gosto amargo que é a desesperança.
      Depois você volta, mas só para me deixar. Depois você me beija, para esquecer. Você faz feliz, para depois cortar. Enquanto você é o agora, eu sou depois, eu sou quando já não estou mais, eu sou o que não é mais, eu sou depois do que já foi depois.