Existencialismo

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    Eu que cheguei a tal ponto de ser incapaz, de ficar tão difusa e indefesa, refém de mim mesma, demorei tanto a finalmente conseguir gritar e quando tentei, a voz foi insuficiente. A tristeza que nunca foi passageira toma o controle outra vez, mas desta vez foi preciso de muito mais que tristeza para finalmente estar de volta à estas linhas. Enquanto isso, meu corpo quente sente frio, eu tremo com as minhas próprias mãos geladas, mais trépida que um galho seco, retorcido pela dureza da mesma dor outra vez. É quando olho por entre os rostos e vejo um horizonte distante me chamar, ouvindo o som do vento passar como sussurro da verdade.
     É só a solidão chegar que eu visto meu véu de névoa, enxergando os dias como lânguidos, acordando  bem cedo com a dor de existir presa num corpo frágil e doído, enquanto a alma se afoga nas próprias emoções. O dia, a tarde e a noite passam, o que não passa é o vazio desse passar, do não viver e do sentir demais que faz doer.
     A existência do existir só faz pulsar a frustração de estar presa na vida, é difícil estar em minha própria mente, como se os pensamentos fosse névoas espessas e a respiração não fosse fôlego. Eu não tenho coragem, porque não fui feita para este mundo, eu não tenho força porque sou uma alma cinza num corpo fragmentado, eu não tenho sorriso porque não fui feita de cor. São mais alguns versos tristes que pouco vão dizer mais a alguém e que o mundo não irá ler, mas que são o sopro do que sou agora, porque no mais, está difícil existir.



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2 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Muito bom Ariane, senti como se eu própria falasse neste texto. Tinha tempo que não visitava o seu blog, porém eu nunca me decepciono ao visitá-lo.Beijos flor. :-*

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